A coluna recebeu de Heitor de Lima, diretor da Divisão de Agronegócios da Prefeitura de Franca, correspondência sobre o texto “Franca não tem uma festa popular”, no qual analisamos, semana passada, a inexistência de um evento público de grande porte, capaz de atrair a atenção regional e nacional para a cidade.
A essência da mensagem é esta:
“Não sei se Vossa Senhoria é francano ou não. Pelo teor de sua coluna do dia 15 de março no Comércio da Franca, penso que não seja, pois o seu desconhecimento do que ocorre em nossa cidade é assustador. Com o título ‘Franca não tem festa popular’, Vossa Senhoria cita várias, como a do Leite de Batatais, Festa do Peão de Restinga, Agrishow, etc. Por acaso Vossa Senhoria já ouviu falar da Expoagro - Exposição Agropecuária de Franca, que este ano completará 38 edições, evento tradicional no Estado, que durante 10 dias do mês de maio de cada ano reúne no recinto do Parque Fernando Costa centenas e centenas de bovinos e eqüinos e outras raças de animais, atraindo milhares de pessoas...”.
Talvez a propósito, senhor Heitor de Lima, tenha eu omitido a Expoagro e explico as razões. Nascido em Franca, acompanhei a primeira edição da, na época, conhecida ‘Exposição de Animais de Franca’, que ainda deixa saudade. Naqueles anos 60, essa festa também atraía milhares de pessoas que compareciam ao Parque “Fernando Costa” para ver o internacional touro reprodutor Krisna Sheene, de propriedade do senhor Fábio Meirelles, que ostentava tantas medalhas que mal se podia ver sua cara. Os visitantes dessa feira se divertiam com a peões de boiadeiro e faziam fila para ver o bem dotado jumento ‘Sossego’, a égua Ambrósia (integrante do plantel de propriedade da família Junqueira), que fazia verdadeiras embaixadas com uma bola; a premiada vaca holandesa Mimosa, famosa pela capacidade de fornecer dezenas de litros de leite num só dia e tantos outros exemplares de animais campeões. Existiam prêmios em dinheiro para pessoas do público que permanecessem mais de um minuto montadas em um jumento indomável. Poucas conseguiam, e os tombos levavam a platéia ao delírio.
Empunhando o microfone da Rádio Difusora naquela década, senhor Heitor de Lima, entrevistei na exposição o presidente da República, Costa e Silva, atraído à festa por causa destas e de outras atrações que motivavam o público. Não viria, certamente, em função das duplas sertanejas que hoje se apresentam na Expoagro aceitas pela Prefeitura sob critérios discutíveis de empresas e empresários que vivem de evento em evento do tipo, com seus grupos de artistas contratados, quase sempre distantes do que realmente a população gostaria de ter.
Quase 40 anos depois daquelas “exposições”, tudo está mudado. A Expoagro de hoje atrai sim, milhares de pessoas. Mas elas não têm a possibilidade de ver Krisnas Sheenes, ‘Sossegos’, Ambrósias, Mimosas, nem as velhas e tradicionais brincadeiras.
Os visitantes de agora são atraídos por shows que não lhes agradam, mas, na ausência de outras possibilidades, vão assim mesmo. Os bovinos e eqüinos e muares estão remetidos hoje a eventos técnicos muito chatos, também distantes do que o povo quer. Assustador, prezado senhor, não é o desconhecimento de nossas coisas. Assustador é saber que temos a faca e o queijo nas mãos e não sabemos cortá-lo.
Agradeço sua manifestação. Quem sabe, através de debates assim, nosso evento francano possa voltar a ser atrativo, como já o foi. E, por último, que se descubram caminhos para tornar o evento grandioso, digno da cidade de 320 mil habitantes que hoje somos, nos moldes do que fazem Ribeirão Preto e Barretos, com suas Agrishow e festa do Peão. Percebe a diferença, senhor secretário?
Ao contrário, continuaremos apenas nos debatendo para fazer, no mínimo igual às dezenas de “expoagros” que pululam aqui pelas redondezas. O retorno de um presidente da República à cidade, em função do principal evento popular que o senhor cita que temos, continuará adiado para outra ocasião.
LIBERDADE DE IMPRENSA
O presidente da Câmara de Franca, médico Joaquim Ribeiro, expulsou a imprensa do plenário. Oras bolas, Dr. Joaquim, A liberdade é uma condição inarredável para o pleno exercício do jornalismo. O objeto do jornalismo é a história do presente. Uma história produzida pelos homens, e marcada justamente pela luta em busca da liberdade. Não é por acaso que o jornalismo alimenta uma paixão insaciável pela liberdade, a qual tanto defende e da qual depende. O uso da força, o abuso de poder, as ameaças veladas ou não, o assédio moral para impedir o acesso e difusão da informação ameaçam a democracia. Os jornalistas francanos não podem ficar passivos diante desta situação. Não devem se intimidar. Devem ainda, em conjunto com toda a sociedade, lutar pelo respeito aos interesses públicos e ao direito constitucional de informar - e de informar bem -, com ética e qualidade. Prezado presidente da Câmara, lembre-se que podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que semeamos.
DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Hoje, 22 de março, se comemora o Dia Mundial da Água. É preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida. Teremos, proximamente, guerras em busca de água potável. O Brasil é um país privilegiado, pois aqui estão 11,6% de toda a água doce do planeta. Aqui também se encontra o maior rio do mundo - o Amazonas - e o maior reservatório de água subterrânea do planeta - o Aqüífero Guarani. Temos a obrigação de mudar nossos hábitos, diminuir a poluição e evitar desperdício de água para não comprometer a nossa sobrevivência.
DENGUE
Flagrei dia desses uma conversa de uma professora com uma amiga. A professora estava revoltada porque agentes sanitários estiveram em sua casa e a orientaram para não deixar água nos vasos com plantas, pois isso poderia atrair o mosquito da dengue. Fiquei a imaginar as dificuldades dos agentes vetores. Facilitar o trabalho deles é obrigação de todos nós. Alguns casos da doença foram detectados em Franca e, apesar de não vivermos uma epidemia é preciso haver preocupação. O mosquitinho Aedes aegypti anda por aí. E prolifera com uma facilidade enorme.
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