Mais de 400 pacientes portadores do vírus HIV de Franca e 21 municípios da região estão à espera do exame de carga viral (teste que quantifica o vírus na corrente sangüínea, ajudando no monitoramento da doença). Sem ele, os pacientes não recebem o tratamento adequado, uma vez que não há como os médicos verificarem como a pessoa está respondendo aos coquetéis de medicamentos. A suspensão ocorreu em novembro do ano passado por conta da falta dos kits distribuídos aos laboratórios pelo Ministério da Saúde.
O exame, que é colhido em Franca e enviado ao Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, deve ser feito por pacientes com aids pelo menos três vezes ao ano. De acordo com informações do ambulatório DST/Aids, a cada mês, pelo menos cem pacientes fazem o teste.
Com a falta dos kits, as amostras para os testes são colhidas em Franca e enviadas ao laboratório do HC, onde estão congeladas. A assessoria de imprensa do hospital informou que o Ministério da Saúde distribuiu, em caráter emergencial, quantidade de kits suficientes para a realização dos 1,7 mil exames dos laboratórios da região. O material, no entanto, foi utilizado apenas para as amostras colhidas no ano passado. A assessoria não soube precisar quantos desses pacientes eram da região de Franca.
Já o Ministério da Saúde informou ontem que a situação já está normalizada e que as cidades do interior de São Paulo começarão a receber os kits na próxima semana. De acordo com a assessoria de imprensa, o atraso na distribuição se deve a dificuldades na importação dos materiais e por mudança de fornecedor.
CONSEQÜÊNCIAS
A médica infectologista Carmem Grijalba explicou que o exame de carga viral é realizado para nortear o tratamento do soro-positivo. Ele revela o número de vírus encontrado no sangue do indivíduo. “Com ele, o médico pode verificar se a pessoa está respondendo ao tratamento ou se criou resistência a ele”.
Para quem descobriu recentemente ser soro-positivo e não fez nenhum exame, as conseqüências não são nada boas. “Só se pode liberar os medicamentos anti-retrovirais com o resultado do carga viral”, disse Carmem. Já aqueles pacientes que são acompanhados periodicamente, a falta de um exame não trará prejuízos ao tratamento. Neste caso, o paciente faz o exame CD4 - que mede a capacidade de defesa do organismo ao vírus - e continua com os mesmos medicamentos. “O ideal é sempre fazer os dois, mas como não está sendo possível, dá para esperar a retomada do exame de carga viral”.
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