Vítimas de tragédia são exumadas


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Delfinópolis (MG) parou na madrugada de sábado para acompanhar o velório realizado em conjunto: quatro dias após o sepultamento, corpos foram desenterrados e submetidos ao exame de necropsia
Delfinópolis (MG) parou na madrugada de sábado para acompanhar o velório realizado em conjunto: quatro dias após o sepultamento, corpos foram desenterrados e submetidos ao exame de necropsia
A cidade de Delfinópolis (MG) foi obrigada a relembrar, ontem, a tragédia que chocou seus 7 mil moradores na sexta-feira, 16. Os corpos do motorista Fernando José de Castro, 27, e das crianças Sabrina, 3, e Maria Laura, 6, foram exumados e submetidos à necropsia. O pai afogou as filhas e depois enforcou-se. A Polícia Civil realizou o procedimento para apurar se as vítimas sofreram outro tipo de violência. Pai e filhas haviam sido sepultados sem passarem por qualquer tipo de exame. Inconformado por ter sido abandonado pela mulher, Fernando convidou as filhas para um passeio na manhã de sexta-feira. Já havia decidido que iria matá-las e cometer o suicídio em seguida. Comprou alimentos, refrigerantes e uma corda em um supermercado da cidade. Seguiu com seu Voyage para um pequeno rancho na região conhecida por "Corgo de Areia", a 15 quilômetros de Delfinópolis. Lá, afogou as filhas em um riacho. Depois, passou a corda no pescoço e enforcou-se em um caibro de madeira dentro da casa. Os corpos foram retirados do local da tragédia e levados diretamente para o velório. Apesar de terem ocorrido mortes violentas, as vítimas não passaram pelo IML (Instituto Médico-Legal). Como surgiram boatos na cidade de que Fernando também poderia ter envenenado as filhas, os policiais decidiram desenterrar os cadáveres para analisá-los. Mantida sob sigilo para poupar familiares de mais sofrimento e não atrair curiosos, a exumação foi realizada ontem de manhã. Responsável pelos trabalhos, o médico-legista Sandro Marciano dos Santos afirmou que a causa da morte das crianças foi mesmo o afogamento. "Não encontrei sinais de outras substâncias, nem de violência. Elas estavam vivas quando entraram na água. Localizei areia nos pulmões e traquéias. É um sinal de que respiraram dentro da água". Segundo o legista, como os corpos já estavam em adiantado estado de decomposição, não foi possível precisar qual das meninas morreu primeiro. "Elas se debateram e sofreram bastante. Devem ter levado de dois a três minutos para morrer". O exame revelou que o enforcamento foi a causa da morte do pai das crianças. Responsável pela apuração do caso, o delegado Marcos Piedade, da Polícia Civil de São Sebastião do Paraíso (MG), acompanhou de perto os trabalhos do médico legista. "A família relutou, mas era preciso fazer a exumação para eliminar as dúvidas existentes. Está claro que o autor premeditou tudo, por não aceitar a separação. O rio tem uma profundidade de cerca de três metros e as crianças não sabiam nadar. É possível que tenha jogado as filhas na água e assistido elas morrerem".

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