O ano todo eles estão à venda, mas é nos 40 dias da Quaresma (quando muitos fiéis deixam de consumir carne vermelha) que os peixes viram vedete e a procura dispara. Em peixarias, supermercados e restaurantes especializados, o consumo deste tipo de alimento é quatro vezes maior do que no restante do ano, quando na média são consumidas 7,5 toneladas por mês. Algumas espécies chegam até a faltar no mercado. Com base nos estoques dos comerciantes do ramo, mais de 30 toneladas de peixes serão consumidas em Franca até o dia 6 de abril, quando a Igreja Católica celebra a Sexta-feira Santa. Uma média diária de 750 quilos.
Filé de merluza, dourada, sardinha, cascudo, abadejo, lambari, pacu e piapara estão na lista dos mais procurados. Além do tradicional bacalhau, comercializado principalmente nos supermercados. O preço varia conforme o peixe escolhido. A sardinha é um dos mais baratos, o quilo varia entre R$ 4 e R$ 5.
Já o abadejo, peixe de água salgada indicado para pratos mais sofisticados, é encontrado por um valor até seis vezes maior. Em alguns estabelecimentos, o preço atinge os R$ 35. No caso do bacalhau do Porto, o preço pode chegar a R$ 40 o quilo. “Sempre compro peixe para o cardápio. É muito saudável e mesmo não sendo católica, o meu consumo aumenta nessa época”, revelou a professora aposentada Marta Belloti.
Mauro Fernando de Andrea, proprietário do City Beef, já comemora a venda de peixes congelados em seus dois açougues e espera para as próximas semanas um aumento ainda maior do seu carro-chefe: piapara temperada e recheada com farofa. “Ela vai pronta para assar e custa R$ 13,98. Vendia 20 peças por semana. Com início da Quaresma, essa procura dobrou”.
A comerciante Adriana Bolela, da Peixaria Pescave, também não tem do que reclamar. Em seu estabelecimento, o movimento aumenta a cada semana e entre os dias 2 e 6 de abril precisará ampliar seu quadro de funcionários para dar conta do atendimento. “Nesse período, trabalharemos das 7 às 20 horas e, ao invés de dois, teremos oito funcionários”, adiantou. Na peixaria, os peixes em filé (sem espinho) são os preferidos dos clientes. “É mais prático e permite que toda a família coma”.
Na Peixaria Tambaqui, a procura por pescados não é diferente. Para a proprietária Sirlei Bernadineli, somente de filé de merluza serão mais de 700 quilos até a Páscoa. “O que costumo vender em um mês sai de uma só vez na Semana Santa. O consumo é muito alto”, disse.
Nos restaurantes especializados em peixes, o crescimento também é perceptível. O empresário Osmar Angonese, do Moinho’s Bar, contabiliza 30% mais do produto em estoque desde do início da Quaresma e espera que, na Semana Santa, esse percentual atinja os 50%. “O consumo deve subir para 100 quilos por semana ou até mais. Bem diferente de outras épocas”.
No Peixinhos Bar, a supervisora geral Raquel Gonçalves prepara para a semana que antecede a Páscoa uma programação especial com rodízio de peixes e frutos do mar. “Já oferecemos o serviço, mas como a demanda é maior na Semana Santa, vamos aumentar os dias”.
Nas principais redes de supermercados da cidade, como Wal-Mart, Carrefour, Gimenes e Savegnago, a procura por pescados surpreende. “Percebemos que muitas pessoas que não têm hábito de consumir peixe e, até mesmo frutos do mar, procuram pelos produtos. Isso é muito bom para as pessoas que vivem da pesca”, disse um peixeiro.
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