Detetives em ação


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Já que a moda agora é dar uma espiadinha, o que os francanos andam espiando? Adultérios, traições e desvio de dinheiro em empresas, crimes, uso de drogas, membros da família? Para descobrir isso e saber mais sobre a profissão de detetive, a reportagem do Se Liga foi a campo e entrevistou alguns desses profissionais, para saber suas técnicas de atuação, bisbilhotagens mais comuns, formação técnica, preços dos serviços, situações inusitadas, entre outras curiosidades. Assim como a famosa espiã Veronica Mars, da série americana homônima, a francana Roberta* vive de espionar a vida das pessoas. Há cinco anos nesta profissão, ela afirma que 90% de seus clientes são mulheres que suspeitam da traição dos maridos. “Quando a mulher percebe que o marido altera a rotina, começa a chegar mais tarde do trabalho ou sai todo dia com os amigos, surge a desconfiança da traição. É aí que somos procurados por estas pessoas para esclarecer o assunto”, afirma. Além de problemas conjugais, Roberta também atende muitos pais que suspeitam que seus filhos estejam envolvidos no consumo de álcool ou drogas. “Atendi a um caso em que os pais estavam desconfiando que os seus dois filhos estariam usando drogas. Fui contratada e, no mesmo dia, flagrei os dois fumando maconha em uma praça, o que acabou confirmando a suspeita dos pais”. Todo o procedimento é filmado ou fotografado passo a passo. O preço dos serviços é salgado. Roberta cobra em média de R$ 200 a R$ 300, conforme o caso. “Cada caso exige um nível de dedicação e posso afirmar que meu trabalho não é caro, pois para quem contrata, a verdade não tem preço”. Já Marcelo* trabalha há 14 anos como detetive e a sua especialidade é flagrar casos de adultério. A paixão pela profissão começou quando ele começou a trabalhar em uma escola de formação de detetives, em Juiz de Fora (MG). “Eu era instrutor e um amigo meu pediu que eu fizesse uma investigação para ele. Resolvi o problema rapidamente e me envolvi com a profissão, que exerço até hoje”. Ele não quis informar os preços praticados, mas disse que vive exclusivamente da profissão e consegue manter um bom padrão de vida investigando os “podres” alheios. Mas, como em todas as profissões, nem tudo são flores na vida de um detetive. “Ao contrário do que muitos imaginam, nossa profissão é triste e muito desgastante, pois nossas descobertas, muitas vezes, representam o fim de um casamento, de uma família”. O método de investigação consiste em quatro etapas básicas: campana, acompanhamento, filmagem e fotos. “Após comprovado o fato, chamo o cliente e apresento o material que consegui. Meu trabalho termina neste momento”, afirma Marcelo, ressaltando que o lado bom da profissão é que não há rotina. A principal ferramenta de trabalho dele é uma potente máquina multifuncional, que grava vídeos, áudio e também faz fotografias digitais. “Esse equipamento é meu braço direito, que torna meu trabalho muito mais prático”. Já nas grandes metrópoles, os aparelhos de espionagem estão cada vez mais sofisticados. Em Franca, segundo os profissionais da área, trabalho não falta. “Sempre tem alguma coisa, mas a maioria dos casos são investigações conjugais”. FORMAÇÃO Em Franca, não há escolas que formam detetives, mas diversos sites na internet oferecem a formação a distância. O curso tem duração média de 30 dias e custa R$ 90, com material didático incluído no preço. Marco Aurélio de Souza possui um escritório de investigação em São Paulo, que também funciona como escola de detetives. “Formamos em média 40 alunos por mês, que já chegam preparados ao mercado de trabalho, pois já ficam habituados com a rotina de investigações do meu escritório”. Marco afirmou que muitos de seus alunos são jovens que sonham em ser policiais e se formam detetives para iniciar na profissão. “Eles querem respirar o ambiente de investigação. Depois vão fazer cursos de preparação para passar nos concursos da polícia”. Quando ainda trabalhava como detetive, Marco viveu situações engraçadas. “Certa vez, segui um homem até um motel. Estranhei o fato dele ter entrado sozinho lá, mas mesmo assim chamei sua mulher. Quando ela entrou no quarto, flagrou o marido com uma boneca inflável”, conta ele, entre risos. Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo telefone (11) 3225-7866 ou pelo site www.iudep.com.br. Os nomes dos detetives entrevistados são fictícios em razão do sigilo que a profissão requer.

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