Quatro lápis pretos, dois cadernos brochura, quatro borrachas e dois apontadores simples, no valor total de R$ 7,70. Esse foi o material básico que a sapateira Luzinete Martins, 35, dividiu para as filhas. À espera dos materiais escolares fornecidos pelo governo de José Serra (PSDB), já atrasados em 45 dias, Luzinete, assim como outros pais dos 60 mil alunos da rede pública na região de Franca, garantiram apenas o essencial para que seus filhos pudessem assistir às aulas.
“Como pensei que elas ganhariam o kit do Serra, não reservei dinheiro para os materiais. Comprei o básico” disse Luzinete. A sapateira tem uma filha na 2ª e outra na 4ª série do ensino fundamental e ainda aguarda pelo material gratuito prometido pelo Estado. “Não tenho condições de comprar agora. Vou esperar”.
No ano passado, os alunos da rede estadual exibiam os materiais na abertura do ano letivo. Na ocasião, o kit foi composto por cadernos, régua, lápis de cor, giz de cera, caneta, apontador, borracha, tesoura, cola e mochila, materiais que, com exceção das mochilas, devem ser repetidos este ano.
Preferindo não esperar pela doação, o pespontador Luzimar José dos Santos, 48, decidiu comprar ao menos o básico. Gastou R$ 50 em cadernos e bolsas para as filhas que estão na 5ª e 2ª série.
Apesar de adiantar as compras, ele garante que ainda falta muita coisa. “Não comprei tudo que pediram na lista. Seria uma boa se a gente receber o restante do que elas precisam. É um dinheiro que sobra para outras necessidades”.
O problema não atinge apenas os pais. Professores que lecionam em escolas de bairros com população carente têm sentido dificuldades com o atraso da entrega dos materiais. “Só no mês passado tirei, do meu bolso, mais de R$ 50 em xerox de atividades para distribuir aos alunos que não têm cadernos”, disse uma professora, que preferiu não ser identificada.
PROBLEMAS
O atraso nos kits é o segundo prejuízo sofrido pela Educação paulista em menos de três meses da gestão Serra. Em janeiro, o governador já havia reduzido pela metade as verbas do Programa Escola da Família - que abre as portas das escolas aos fins de semana para pais e alunos em atividades de lazer e geração de renda.
Consultada pela reportagem do Comércio, a Diretoria Regional de Ensino de Franca, através de sua dirigente, Ivani Marchesi, não quis comentar o assunto.
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