Contrariando a todas as previsões médicas, Marcela de Jesus Galante Ferreira completa hoje, terça-feira, 4 meses de vida. A expectativa inicial era que o bebê, que nasceu sem cérebro na Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio Paulista no dia 20 de novembro do ano passado, dificilmente sobreviveria à primeira semana de vida. Ela contrariou, inclusive, a sentença dada por um dos maiores nomes da Neurologia Infantil do Brasil, o médico Aron Diament, que é um dos fundadores da Academia Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil, que disse em entrevista ao Comércio, quando ela completou dois meses de vida, que dificilmente a saga da pequena Marcela resistiria aos quatro meses. Ela conseguiu.
As conquistas da criança não param. Como ela cresceu (ganhou 10 cm) e engordou (ganhou 1,380 quilos) nos seus 119 dias de vida, ela terá a alimentação reforçada. Até agora ela recebia basicamente 50 ml de leite - a cada três horas - via sonda.
Nesta semana, Marcela experimentará uma papinha de legumes, também por sonda. “Os alimentos serão batidos no liquidificador e se ela tolerar vamos adotar”, disse a pediatra, Márcia Barcellos, que a acompanha desde o nascimento.
Além disso, crescem as chances da criança deixar a Santa Casa onde está desde o nascimento e de onde saiu somente duas vezes para ser examinada em Franca. Como a família está com dificuldades para alugar um imóvel, o Fundo Social de Solidariedade de Patrocínio ajudará na tarefa. A Santa Casa emprestará o aparelho de oxigênio que ajuda a criança a respirar e a prefeitura poderá arcar com as despesas com o equipamento que podem ultrapassar R$ 1 mil mensais. “A família não tem condições financeiras de arcar com essas despesas, por isso receberá ajuda para manter a criança. Vamos dar alta por que ela está muito bem e é difícil prever quanto tempo sobreviverá”, disse a pediatra. Mesmo fora do hospital, a médica também fará visitas constantes.
MUITA FÉ
A mãe de Marcela, Cacilda Galante Ferreira, se apega à religião para enfrentar a situação. “Agradeço a Deus por ela ter chegado tão longe. Muita gente disse que ela não viveria quatro meses e ela conseguiu. Só Deus sabe o que reserva para ela”.
Cacilda só não gosta muito de falar sobre a possibilidade da filha sair de Patrocínio Paulista para fazer novos exames. “Acho muito arriscado. Quando ela foi para Franca fazer a ressonância magnética já ficou tão agitada. Imagina ir para mais longe.
Prefiro que ela fique quietinha aqui comigo”.
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