A pena de morte


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Dr. Paulo (Pereira da Costa, promotor de Justiça), li com muita atenção o texto de sua autoria publicado à página 2, em 17 de março, no Comércio da Franca, um jornal de credibilidade e democrático que dá oportunidade a todas as classes sociais de manifestarem opiniões. No final do seu texto, o senhor pergunta "quem apertaria o botão"? (para entender o assunto: o artigo falava sobre a possibilidade de implantação da pena de morte. O articulista se perguntava: "quem apertaria o botão?" e respondia: "Eu, com certeza, não. Sou humano, falível e cheio de defeitos, e não quero ser também assassino"). Pois bem, eu me candidato, para quantas vezes forem necessárias. A nossa Justiça pode contar comigo, se faltarem candidatos. Meu filho, Rogério Tadeu de Carvalho, jovem advogado, foi assassinado por covardes bandidos que queriam roubar seu carro, não deram a chance a ele nem de perguntar quem estava "apertando o botão", isto é "o gatilho". Dr. Paulo, estes bandidos não mataram somente meu filho. Eles mataram e destruíram toda a minha família, uma família unida, alegre e feliz até então. Estes bandidos, Dr. Paulo, destruíram muitos sonhos, destruíram o sonho de meu filho mais novo, o caçula, que estava apto a prestar exames para o Ministério Público, para ser um Promotor igual ao senhor e hoje é um jovem triste, deprimido e sem estímulo para a vida. Eu e minha esposa, Dr. Paulo, não vou nem escrever o que estamos passando. Meus netos, todos os dias, perguntam quando o tio Rogério voltará do céu. Quanto aos bandidos, faz exatamente um ano que foram descobertos e até hoje não foram julgados. O processo ainda corre no Fórum de Franca. Dr. Paulo, desculpe o meu desabafo, mas com isto que acabo de escrever "aperto um pouco o botão" da impunidade. Nossos legisladores e a Justiça deveriam assistir as famílias vitimadas, ver o que se passa com elas, discutir e tomar atitudes de forma a que não fiquem pensando que Justiça só existe para os bandidos. Eu expresso aqui toda a minha indignação. José Tadeu de Carvalho Em Pirassununga (SP) é leitor do Comércio da Franca

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