Câmara proíbe circulação de jornalistas


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Estive na Câmara Municipal em 13 de março e assisti ao clima conturbado no qual o presidente da instituição tentava explicar a vereadores sobre a decisão de não permitir a permanência de jornalistas no plenário. O regimento interno da casa não permite a presença de pessoas estranhas aos trabalhos no plenário? Quem são os estranhos? Os jornalistas, que têm um papel fundamental na cobertura dos atos do Legislativo? E o que o presidente pode me dizer das pessoas que volta e meia entram no plenário para conversar com os vereadores, a exemplo: secretários do prefeito, que aparecem por lá em pleno andamento da sessão para mostrar projetos de interesses do Executivo, empurrando-os pela goela abaixo dos edis? Ou os funcionários de escritório de vereador que trabalham também como advogado e aparecem por lá a fim de levar documentos extra-sessão? Houve um dia - eu também estava lá - que um delegado, em explícito caso de abuso de poder invadiu o plenário para inquirir um funcionário da casa, com total conivência do plenário, já que nada foi feito para colocar este servidor da Polícia Civil em seu devido lugar. O presidente usa como argumento para a decisão de afastar jornalistas o fato dos vereadores deixarem a sessão para conceder entrevistas. Isto não procede. A prova é que, no dia em que lá estive, dos quinze vereadores eleitos só seis estavam no plenário. Os restantes estavam andando pelas demais dependências do prédio. O fato mais constrangedor se deu quando o presidente pediu ao repórter do Comércio da Franca para que se retirasse do plenário. O moço respeitou e se retirou. O Legislativo francano nunca foi tão comentado na história de Franca como vem sendo agora. A imprensa e principalmente o Comércio têm escancarado o despreparo dos vereadores, a interferência do Executivo na casa dos vereadores o que danifica a indispensável independência; os vereadores que, por motivos fúteis saem da sessão para atender assuntos que nada tem a ver com a atuação legislativa. Entre tantas falas a respeito da manutenção da posição de manter afastada a imprensa, cito a do vereador Marcelo Mambrini (o sargento Mambrini), ele que diz que vem de instituição militar com regulamento rígido; que no Fórum, os regulamentos são rígidos, que no gabinete do prefeito o regulamento é rígido, e que, em nenhum destes lugares, a imprensa pode entrar de qualquer jeito. Ora, alguém tem que falar a este vereador o que são e como funcionam os três poderes da República Federativa do Brasil. E, em particular, quero dizer ao Mambrini (que acredito, vai ler este texto), que ele precisa compreender que integra um parlamento, palavra que vem do latim “parlare”, que quer dizer exatamente, falar. Senhores vereadores: a instituição que os senhores integram pelo voto popular é a única constituída no âmbito federativo, que “fala ao povo” e que “deve” tratar única e exclusivamente de assuntos que interessem diretamente ao povo. E, para contar sobre o que os senhores parlam ou não, é dever e direito único da imprensa ter acesso e autonomia para contar como exercitam seus mandatos. Esse é o papel da imprensa, que os senhores precisam respeitar. Ademir da Rosa é leitor do Comércio da Franca

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