Alfredo Palermo
Especial para o Comércio
Gente do interior, acompanhamos pela TV e pelos jornais a visita do presidente Bush ao Brasil. Foi uma visita relâmpago, 20 horas. Essa visita é motivo de muitas especulações, não só aqui como em muitos países, segundo o noticiário internacional. Como ocorreram os preparativos e como os jornais falaram dessa ruidosa visita? O Estadão resumiu a “festa oficial” e os protestos gerais: “Muito barulho por nada”; e a Folha, no domingo, deu esta manchete: “Festival do protesto”. E o nosso Flávio, em sua charge dominical, sintetizou a impressão deixada pelo presidente Bush: “Restos da viagem ‘Fora Bush!’”. E após as 20 horas de Bush, sobraram algumas questões ligadas a esse acontecimento histórico. É bom discretear sobre esse tema.
Bush, em rápido discurso na presença de Lula, afirmou: “O etanol é fundamental para a segurança!” Com essas palavras, Bush resumia seu medo: o petróleo, como combustível, vai acabar em 20 anos. E o etanol, que o Brasil criou, vai substituí-lo. Explicou que veio ao Brasil não só para assegurar contratos de compra de nosso álcool-combustível, como para aprender a tecnologia do etanol. Bush ignorava tudo sobre a grande invenção de nosso álcool-motor. E o Estadão comemorou: “A divulgação da importância do álcool como substituição do petróleo brasileiro refletiu uma lição importante no mundo todo!”.
No entanto, a ignorância de Bush e seu medo de os EE.UU. ficarem sem petróleo é sinal de que a tecnologia norte-americana, formidável em criação de máquinas para terra, mar e ar, ignorou a importância do etanol, enquanto nossos pesquisadores se antecipavam em anos à possibilidade futura do fim do petróleo - razão de ser dos EE.UU. E Bush ainda veio aprender que não é só o etanol que assegura outras formas de combustível, mas o biodiesel e a biomassa, em geral, pois o milho, a soja e outros grãos, bem como outros produtos vegetais podem ser transformados em energia motriz.
O embaixador Rubens Ricupero, antigo ministro da Fazenda do Brasil e, depois, representante diplomático nos Estados Unidos, comentando a visita de Bush, além de chamar a atenção de nosso governo para futuros negócios sobre o etanol, frisou: a) Bush não tem poderes para reduzir “taxas” em importações, competência do Congresso norte-americano; b) Bush deve terminar seu mandato daqui a meses; c) o Brasil deve evitar submeter-se às “tradings” americanas para não ser asfixiado. Finalmente: o ex-embaixador sublinhou: “A Chevrolet está a ponto de lançar seus carros elétricos. E até os “carros flex” serão superados”.
A visita do presidente Bush, assim, foi apenas um ato de visita comercial. E a Folha de São Paulo registrou com perspicácia: “A visita do presidente Bush ao Brasil deu origem a um verdadeiro Carnaval fora de época”. Aliás, Bush chegou a dançar num encontro com garotos que o receberam com música de nosso cancioneiro popular.
Bush notabilizou-se com atos de guerra e está em fim de mandato. Seu medo de ser criticado no futuro pela falta de combustível e... de “segurança”, o trouxe até aqui. E os EE.UU. que cuidem de sua biografia, com a sangrenta aventura do Iraque.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.