Indiferentes à pesquisa, Engler, na quinta-feira, e Gilson, na sexta, tomaram posse para iniciar mais um mandato como deputados estadu-ais. É a quinta eleição do tucano, enquanto Souza assume pela segunda vez. Sobre o levantamento, minimizado por ambos, as justificativas para o desempenho ruim foram semelhantes.
“A pesquisa é válida, mas acho que poderíamos acrescentar mais critérios”, disse Gilson. “Respeito o movimento profundamente, mas cada deputado tem um perfil”, disse Engler. Confira abaixo as justificativas dos dois deputados.
ENGLER
A não valorização do trabalho no gabinete. Esse é, segundo Engler, a razão para a nota ruim atribuída a ele pelo Voto Consciente. Para Engler, seu perfil não é o que melhor se encaixa na cobrança dos critérios do levantamento. “São parâmetros importantes, mas prejudicam o perfil de quem representa as comunidades, como é o meu caso, que venho de uma região que fica a 400 quilômetros da Assembléia”.
O tucano se baseia na boa votação que teve em Franca e na região para fortificar sua alegação. “Eu sou aquele deputado que fica no gabinete telefonando para cá, para lá, resolvendo problemas, buscando verbas. Eles (Voto Consciente) não levam em consideração o que é o meu forte”.
Engler ainda fez considerações sobre outros critérios, como a aprovação de projetos e a fiscalização em relação ao Poder Executivo. “A aprovação depende da Casa. Tenho muitos projetos de lei em andamento, mas dependo do voto dos colegas”
O deputado reeleito pela quinta vez fez questão de ressaltar também o único critério em que alcançou um dez: fidelidade partidária. “Sou membro do PSDB desde o final da década de 80.
Sou fundador do partido em Franca e em muitas cidades da região”, disse, com uma pontinha de orgulho.
GILSON
Gilson de Souza atribui sua avaliação ruim a um erro de metodologia. Segundo ele, o lado político da negociação e dos contatos com o Executivo para a viabilização de projetos não fazem parte dos pontos avaliados pelo Voto Consciente. O deputado do PFL cita dois exemplos de atuação em que fez o papel de deputado nos bastidores e que ele não sabe onde entraria na avaliação. O primeiro deles é hipotético. “Para asfaltar uma estrada, não é com projeto que se consegue. Você tem que fazer um requerimento e acompanhar a causa. Isso é o que eu mais faço”.
Para levar a argumentação ao campo prático, o deputado se apoiou naquela que avalia como uma das maiores conquistas de seu primeiro mandato. “Nós conseguimos reduzir o IMCS para o Estado. Fizemos um Fórum com 22 deputados em Franca. Nunca um presidente da Assembléia saiu da capital para ir presidir um Fórum em outra cidade. Onde isso foi contemplado na pesquisa?”.
O deputado, eleito em 2002 pelo PP e hoje no PFL, tentou também explicar as razões de sua mudança de partido, fato que lhe tirou cinco pontos no quesito fidelidade partidária. “Mudei de partido uma vez e isso me prejudicou na pesquisa. Só que eu voltei ao PFL, o partido em que eu passei 20 anos”, disse.
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