O quarto domingo da Quaresma é chamado, pela liturgia da Igreja, domingo “laetare”, que quer dizer: domingo da alegria. A Palavra de Deus proclamada nas ce-lebrações eucarísticas nos fazem entender o significado da alegria.
O povo do Egito foi libertado das garras do Faraó, atravessando o Mar Vermelho, penetrando pelo deserto, vivendo ali durante quarenta anos. Depois de muito peregrinar, finalmente estão livres e podem tomar posse de uma terra fértil. Para manifestar a própria alegria e a própria gratidão, os israelitas decidem então celebrar novamente a Páscoa, como tinham feito seus pais na noite da saída do Egito. A história desse povo é uma imagem do que acontece a nós cristãos. Pelo batismo fomos tirados da condição de miséria e de pecado. Como os hebreus festejaram em Gálgata a própria libertação, nós também celebramos, na Eucaristia, a salvação que obtivemos.
A segunda leitura tem como tema a reconciliação. A reconciliação não significa só “entrar em acordo de novo”, ou “acabar com a inimizade”, ou ainda, “purificar-se dos próprios pecados”, implica também o nascimento de uma criatura completamente nova.
A reconciliação com Deus não é resultado da boa vontade e dos esforços do homem, mas é obra de Deus. É ele quem toma a iniciativa de restabelecer a paz.
E no evangelho encontramos a significativa passagem do Filho Pródigo que nos leva a experimentar os efeitos do coração misericordioso do Pai que é o próprio Deus. O filho mais jovem, certo dia, decide abandonar a família e tem pressa. O pai não impede a partida, não fala uma palavra sequer. Esta sua atitude mostra o respeito de Deus pela liberdade do homem. O filho mais jovem abandona a casa em busca de aventuras. Longe da casa do pai, o filho mais jovem não encontra a felicidade que esperava.
A busca dos diversos prazeres acaba provocando-lhe náuseas. As aventuras não satisfazem, o ser humano precisa de um equilíbrio interior. A experiência do desencanto é providencial, pois permite recuperar a consciência de si mesmo.
O filho volta e o pai não está preocupado com a vileza que o filho aprontou: abraça-o sem lhe perguntar nada. Diante do fato é possível saber: não é Deus que condena mas é o próprio pecador que castiga a si mesmo. As palavras do filho mais velho são bastante desaforadas. Se o irmão mais velho estivesse em casa na hora, com certeza o mais novo não teria entrado nunca. O filho mais velho se justifica perante o pai: nada desperdicei, trabalhei com seriedade, executei todas as ordens. Ele se compara a um empregado e o pai parece seu patrão. O pai não rejeita o filho mais velho como não rejeitou o filho jovem.
O pai reconhece os erros do filho jovem e o perdoa e acolhe o filho mais velho com uma ternura que só um coração de pai e de mãe possuem.
MISSA EM LATIM?
No último dia 13, o Santo Padre Bento XVI publicou a Exortação Apostólica “SACRAMENTUM CARITATIS”; uma Exortação Pós-Sinodal sobre a Eucaristia fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. O Sínodo dos Bispos realizou-se de 02 a 23 de outubro de 2005 no Vaticano. A Exortação é longa, riquíssima sobre a teologia da Eucaristia, querendo ressaltar a fé eucarística da Igreja. Nos seus 97 itens o Santo Padre quer despertar o sentido da eucaristia na vida pastoral e celebrativa da Igreja e na vida de fé dos que acreditam em Jesus cristo que é o Pão descido do céu.
Em determinado ponto (nº 62) tratando da participação ativa dos fiéis nas celebrações eucarísticas, o Santo Padre lembra aquilo que o Concílio Vaticano II já decretou em 1963, na Constituição Dogmática “SACROSANCTUM CONCILIUM”.
1) A língua vernácula (a língua usada em cada nação) pode ser usada na eucaristia: nas proclamações da Palavra de Deus, na oração comum (Pai-Nosso), nos cânticos e outras partes que competem ao povo.
2) A língua latina é a língua oficial da liturgia da Igreja. Na atual exortação o papa “aconselha” que durante as grandes celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, com o intuito de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, que em algumas partes da missa se lembrem de usar a língua latina e que em alguns momentos sejam entoados cantos gregorianos, ex: Ato Penitencial, Cordeiro de Deus, Creio. Nunca as leituras da Bíblia ou a Homilia ou as Preces. Aconselha que os futuros padres aprendam a língua oficial da liturgia e que a mesma oportunidade seja dada aos fiéis para que nestas ocasiões entendam e rezem melhor. O papa não mudou nada, somente lembrou uma orientação do Concílio Vaticano II.
CONFISSÃO
Quando temos consciência bem formada, constantemente vigiamos nossas atitudes, palavras e pensamentos. Mesmo assim somos atingidos pela realidade do pecado. Por sua vez o pecado não tem a mesma força que a graça divina: ela é sempre maior. A confissão dos pecados é a abertura do nosso coração para que a graça e a salvação morem definitivamente em nós.
É por isso que quem se confessa sente “alívio” na alma. Uma dos conselhos que recebemos na Quaresma é experimentar a graça da salvação por meio da confissão sacramental.
PERDÃO
Muitas vezes nos sentimos magoados por aquilo que os outros falaram sobre nós ou fizeram contra nós. Facilmente surge a vontade de que haja “condenação” de quem pratica o mal. Não é necessário esperar a condenação dos maus, pois a vida alicerçada na maldade é uma pavorosa tragédia. O perdão existe no coração daqueles que rezam pelos que os perseguem. Se amo a Deus não posso ter rancor! É bom lembrar do pai que abraçou o motorista do circular após a morte do seu pequenino filho, dias atrás em nossa cidade.
SALVAÇÃO
Deus não quer seus filhos perdidos no pecado. Em Jesus Cristo, morto na cruz e ressuscitado, ele nos salvou definitivamente. Quando pecamos, Deus nos olha com amor e derrama sobre nós infinita misericórdia. O divino coração de Deus está sempre aberto para nos acolher, perdoar e salvar.
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