Depois que foi deixado pela mulher, o motorista Fernando José de Castro, 27, passou a ir quase todos os dias ao restaurante existente no porto da balsa que faz a travessia entre os municípios de Cássia e Delfinópolis. Entre um copo e outro de cerveja, comentava com os amigos que iria fazer uma besteira. Para os mais chegados, chegou a dizer que pensava em tirar a vida das próprias filhas. Estava inconformado com a separação.
O casamento de oito anos com Silmara Oliveira Paulo, 24, passava por turbulências. O casal havia se separado há cerca de 20 dias. O motorista tentava a reconciliação, mas a mulher estava irredutível. Na cidade, há quem diga que ela estaria interessada em outro homem. A família não confirma a versão. Nervoso por perder a companheira, Fernando dizia que mataria as filhas e se mataria.
Apesar das ameaças, Fernando freqüentava a casa do sogro, na Rua Cônego Marinho, Centro de Delfinópolis, onde a mulher estava morando. Na tarde de quinta-feira, saiu com as filhas para passear. Retornou por volta de 22 horas. As crianças estavam felizes. A família se convenceu de que as ameaças seriam apenas uma maneira de forçar a mulher a voltar com ele.
Não era. Na manhã de sexta-feira, o mecânico passou na casa novamente e convidou as filhas para outro passeio. Ele já estava decidido a matar e morrer. Iludiu as filhas ao passar em um supermercado e comprar refrigerantes, chocolates e iogurtes. Também adquiriu alguns metros de corda. Disse que faria um balanço para elas brincarem.
Foram para um ranchinho da família na região conhecida por “Corgo de Areia”, a 15 quilômetros de Delfinópolis. Lá, afogou as filhas em um riacho. Depois, passou a corda em seu pescoço e se enforcou em um caibro de madeira dentro da casa. Antes, rabiscou algumas palavras na parede informando a mulher que as filhas estavam no rio.
No rancho, a polícia apreendeu um livro espírita de Allan Kardec. Na primeira contracapa, escreveu o nome de 15 pessoas e disse que os citados deveriam ler o que estava escrito. Também citou a mãe dele e pediu perdão. “Um dia, vocês vão entender os motivos”, se limitou a dizer. O livro foi apreendido pela Polícia Civil de São Sebastião do Paraíso, que não divulgou outros detalhes do conteúdo liberados.
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