Franca ajuda a reduzir fila de córneas


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Lucas Hakime, 17, recebeu transplante de córneas há sete meses. "Não sei quem foi a família que doou, mas hoje sou feliz por essa decisão que tomaram"
Lucas Hakime, 17, recebeu transplante de córneas há sete meses. "Não sei quem foi a família que doou, mas hoje sou feliz por essa decisão que tomaram"
A solidariedade de pessoas que perdem um ente querido e o trabalho de abordagem de voluntários em Franca estão fazendo a diferença para reduzir a fila de espera por uma córnea em São Paulo. A cidade é a segunda colocada em captação por unidade no Estado. Só perde para Sorocaba, considerada hoje o maior centro de captação no País. Em três anos, Franca enviou ao Banco de Olhos de Ribeirão Preto 2,1 mil córneas. Resultado: não há mais filas de espera para o transplante na região. “Quando temos um paciente que precisa de córneas, o prazo de espera é muito pequeno e acontece apenas pela espera da internação”, explicou o médico Otto Cézar Barbosa Júnior, responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes da Santa Casa. No Estado de São Paulo, o tempo de espera pelo transplante, que já chegou a três anos, hoje não ultrapassa seis meses. No final de 2006, a fila tinha 4336 pessoas. Hoje o número caiu para 1793. De acordo com o médico, a posição que o Estado alcançou no trabalho de captação de córneas se deve ao trabalho de voluntários. Em Franca, por exemplo, 38 voluntários participam do Projeto Luz - criado há três anos especialmente para desenvolver o trabalho de orientação junto às famílias. Para se ter uma idéia, antes da implantação do projeto, Franca captava, em média, 5 córneas por ano. Hoje já são mais de 50 por mês. O trabalho de abordagem às famílias de pessoas falecidas começou na Santa Casa. Depois passou a ser feito no Hospital do Coração e, há seis meses, é desenvolvido também no Hospital Unimed, que pretende levar o projeto a todos os hospitais do Estado. “Se todos hospitais tivessem esse trabalho, não teríamos filas de transplante de córneas”, afirma Otto. Diferente de órgãos como o coração, pulmão, fígado e pâncreas, em que o doador deve, necessariamente, ter apenas a morte encefálica, ou seja, o cérebro pára, mas o coração precisa estar pulsando, a córnea pode ser retirada até seis horas após a parada cardíaca. Isso facilita o convencimento da família, já que não há dúvidas da morte de seu parente.

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