O vendedor Geová Luís nunca ganhou na loteria, mas pode ser considerado um homem de sorte. Também poderia mudar perfeitamente sua data de nascimento para 16 de março de 2007. Ele tem 36 anos e não seria nenhum exagero dizer que nasceu de novo ontem.
Morador do Jardim Bueno, Geová saiu de casa cedo. Estacionou o seu Gol na Rua Major Claudiano e foi a um banco nas proximidades. Eram 10h30. Retornou meia hora depois e avistou uma grande movimentação diante de seu carro. Pensou que fosse algum acidente. “Rapaz, levei um susto danado. Ainda bem que não tinha ninguém dentro”, disse.
Usado como escudo pelo assaltante, o carro do vendedor foi atingido por três tiros. Um no pára-brisa, outro no vidro lateral esquerdo e o terceiro no vidro traseiro. “O disparo da frente pegaria no meu peito, o de atrás acertaria as costas de minha esposa e o do lado, atingiria meu filho. A família toda poderia ter morrido”.
Geová contou que pretendia ter voltado ao veículo um pouco mais cedo para pegar alguns cartões. Poderia ter cruzado a linha de tiro. Aliviado por ter escapado de uma tragédia por questões de minutos, disse que recebeu proteção divina. “Só tenho que agradecer a Deus. Não era para eu estar dentro do carro naquele momento”. Ainda no calor da ocorrência, o vendedor revelou que está preocupado com a violência que toma conta da cidade. “Está um caos, né? Se for analisar, dá até medo de andar nas ruas”.
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