O homem que levou pânico ao Centro de Franca ontem mora com uma mulher e um enteado de quatro anos na Vila São Sebastião. Diz ser sapateiro, mas alega não conseguir se manter no emprego devido aos seus antecedentes criminais. Ficou preso por sete anos na Penitenciária de Franco da Rocha por ter tentado matar uma pessoa. Não tem o perfil característico de bandidos. Bem articulado, se expressa com calma, clareza e sem gírias. Estudou até a oitava série.
Wanderson deixou sua casa logo cedo e seguiu de ônibus até o terminal Ayrton Senna. De lá, foi para a empresa Ademar Ouro. Já havia “filmado” o local e planejado o roubo. Com arma em punho, rendeu as vítimas e anunciou o assalto. “Só queria dinheiro.
Pedi para ele não ficar olhando para mim e dei alguns passos para trás. Bati as costas na porta e me descontrolei. Foi quando ele voou no meu pescoço”.
Nesse momento, o assaltante encostou a arma na cabeça do comerciante e ameaçou. “Vou matar você, vou matar você. Falei para ele: solta eu que vou atirar, vou atirar. Percebi que o cara tava mais louco do que eu (sic). Mesmo com a arma na cabeça, ele não me soltava”.
Durante a luta com o comerciante, Wanderson teve oportunidade de atirar. Disse ter refletido e decidiu não puxar o gatilho. “Pensei comigo: não vou atirar na cabeça do cara, não. Dei um tiro para cima e ele se assustou. Foi quando saí correndo. Cheguei na rua, mas já tinha um policial na moto”.
Wanderson continuou em fuga. Entrou pela Rua André Martins e chegou à Major Claudiano. “A hora que virei a esquina, ele veio para cima de mim. Percebi que iria atirar e me agachei. O policial atirou e a bala passou perto de minha cabeça. Quando viu que eu estava armado, se afastou de mim”.
O assaltante negou ter trocado tiros com o soldado, como afirma a Polícia Militar. “Não atirei contra o policial e nem atirei para matar ninguém. Estava só com duas balas no revólver. Dei apenas um tiro no telhado da loja. Pode ver que ainda tem um projétil inteiro no revólver”. Consciente, Wanderson surpreendeu ao dizer que não se arrependia de ter invadido a loja. “Quando a gente vai fazer um negócio desse (roubar) tem que pensar antes.
Agora é tarde. O arrependimento para mim, agora, é só com aquele lá de cima”.
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