“Vou matar você, vou matar você”. A ameaça feita por um assaltante durante um roubo levou o pânico ao Centro de Franca. A vítima reagiu. Assustado, o ladrão saiu correndo com um revólver nas mãos e trombou com um policial. Tiros, medo, perseguição, balas perdidas e tentativa de linchamento. A cidade viveu uma manhã infernal ontem.
Faltavam alguns minutos para as 11 horas quando o desempregado Wanderson Elias dos Santos, 32, invadiu a empresa Ademar Ouro, na Rua Monsenhor Rosa. Ele escondia o rosto com um capacete e empunhava uma arma. Gritando, exigiu que o comerciante Ademar Romeiro de Andrade, 47, abrisse o cofre e entregasse o dinheiro. “Não tenho nada de valores lá. É apenas um escritório.
Entreguei minha carteira, mas ele não se contentou. Puxou os cabelos de minha filha e colocou o revólver perto da cabeça dela. Ao fazer isso, mexeu comigo. Parti para cima do cara”.
O comerciante, a filha dele e uma cabeleireira que estavam na loja entraram em luta corporal com o bandido. Wanderson deu um tiro, acertou o teto e saiu correndo. Naquele instante, o soldado Pimentel seguia para seu serviço em uma moto e avistou o bandido ainda segurando o revólver. Solicitou reforço e passou a seguí-lo.
Antes que o apoio chegasse, o assaltante se escondeu atrás de um Gol, estacionado diante da Loja Jô Calçados, na Rua Major Claudiano, uma das mais movimentadas de Franca. “Ele atirou contra minha pessoa. Ainda sobre a moto, revidei. O bandido continuou em fuga, entrou numa sala da Travessa Archetti e tentou pegar duas pessoas como reféns”. Pelo menos cinco tiros foram disparados. Três deles acertaram os vidros do carro.
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O motorista havia saído momentos antes. “Se estivesse dentro, poderia ter morrido”, disse, aliviado, o vendedor Geová Luís. Apesar da intensa movimentação na calçada, ninguém se feriu durante o tiroteio. Mas, o desespero foi grande: mulheres chorando e curiosos se misturavam aos policiais que corriam atrás do fujão.
O ladrão desistiu de usar os reféns como escudo humano e continuou em fuga pela área central. Escalou um muro e ganhou o pátio de um estacionamento. Pulou janelas e escalou telhados. A essa altura, já era seguido por um batalhão de policiais. Olhou para trás e percebeu que não teria chances. Jogou a arma no chão e se rendeu. “A polícia foi cercando, cercando. Vi que não tinha mais saída e me entreguei. Foi a melhor forma que encontrei”.
Ao ser levado para a viatura, uma multidão formada por mais de cem pessoas tomou conta da Rua Major Claudiano e passou a xingá-lo. Alguns mais exaltados tentaram agredi-lo. “Tiramos ele do local rápido para não ter linchamento e o conduzimos ao 1º DP”, disse o tenente Frata. O assaltante foi autuado em flagrante por tentativa de latrocínio - roubo seguido de morte - e recolhido ao presídio do Jardim Guanabara. Wanderson já esteve preso por sete anos acusado de tentativa de homicídio.
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