É infinita a capacidade de personagens de mercado criar fatos falsos e ciência fake. Esta semana esteve no Brasil Jim O`Neill, chefe da divisão de pesquisa econômica do banco de investimento Goldman Sachs.
Foi apresentado ao distinto público como criador do termo BRIC (grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China).
No meu Blog, o leitor André Araújo, autor de livros relevantes, desmentiu a autoria. BRIC é apenas um acrônimo, não um conceito.
E o conceito de grandes países emergentes foi criado por três eminentes professores da Yale University: Robert Chase, Emily Hill e Paul Kennedy, o primeiro professor de economia e os outros dois de História, em um famoso artigo publicado no número de Janeiro/Fevereiro de 1996 da Revista Foreing Affairs, a mais respeitada dos EUA em assuntos internacionais.
Em cima de uma falsificação histórica, O`Neill ganhou autoridade para falar o que quiser e ganhar tons de oráculo.
Em relação ao crescimento, disse que até 2050 o Brasil passará os grandes países crescendo apenas 3,5% ao ano. E que não deveria haver obsessão com o crescimento do PIB. Ora, se crescesse a 5% ao ano, em vez de 40 anos se alcançaria a mesma marca em 28 anos. Se crescesse a 7% ao ano (como em outros tempos) levaria apenas 20 anos.
Não se trata apenas de corrida de obstáculos. Significaria que em 20 anos o País poderia ter um padrão de vida que, com o crescimento a 3,5% ao ano, levaria 40 anos para obter.
Não apenas isso. O`Neill teve a ousadia de afirmar que um câmbio a R$ 2 (suficiente para arrebentar com muitos setores empregadores e mão-de-obra) "não é necessariamente ruim para as exportações brasileiras". Como fazer? Simples: basta fazer como a economia alemã, que investiu em produtos de alto valor agregado e tem vendido cada vez mais para a Índia e para a China. "Para certos produtos, o câmbio não é um fator de impedimento", diz.
A questão central é: o Brasil dispõe desses produtos? Todos esses países cresceram, inicialmente, apostando em uma moeda competitiva. Depois de enriquecer com o câmbio desvalorizado, passaram a investir em produtos de maior valor tecnológico e puderam conviver com moeda nacional apreciada.
Como é que um gênio da lâmpada desses apresenta como alternativa para o Brasil algo de que ele não dispõe? E como os entrevistadores aceitam esse tipo de argumento primário, que depõe contra a própria inteligência da mídia?
Em relação ao que ele chama de "obsessão" de certos setores com o crescimento do PIB, foi curto e grosso como um bom ianque: "A manutenção das metas de inflação parece ser mais importante, pois garantirá segurança para o investidor no longo prazo". Nada contra, desde que fique bem claro o que ele disse: é bom para o investidor.
No fundo, O`Neill representa um tipo específico de economista que é replicado no País. São pessoas que utilizam o conhecimento especificamente para defender interesses específicos - nada contra. O problema maior é o tratamento conferido por parte expressiva da mídia, de considerá-los além das chinelas. A maior parte não é respeitado pela academia, não tem obra teórica relevante. E o que dizem servem exclusivamente para que analistas de verdade entendam os humores do mercado.
ELÉTRICAS
Atenção nos que apostam nas ações das distribuidoras de energia. Nos últimos anos, a maioria apresentou lucros polpudos, por conta de tarifas reajustadas pelo IGP-M (índice que acompanha as mudanças cambiais) do ano anterior. Este ano, deverá haver uma boa redução na conta de luz e, conseqüentemente, nos lucros das distribuidoras. Será mais um fator a jogar para baixo as projeções de inflação.
A TV ESTATAL
Não há surpresa em uma TV do Executivo. A Câmara já tem a sua, assim como o Poder Judiciário. O que causa espécie é a tentativa do Ministro das Comunicações Hélio Costa de trazer a TV para seu Ministério. Não há lógica alguma nisso, a não ser o interesse da pasta em montar as licitações para adquirir equipamentos. É evidente que apenas a Radiobrás terá condições e tem como missão operar uma TV do executivo.
GREENSPAN
O ex-presidente do FED (o banco central norte-americano), Alan Greenspan, previu riscos para a economia americana, com a crise do financiamento imobiliário. Por enquanto, não foi detetada nenhuma contaminação de outros mercados, admitiu Greesnpan. Mas ressaltou que o problema desses empréstimos de alto risco "não é questão menor". A razão maior da crise foi o aumento do preços das moradias.
AUXÍLIO-DOENÇA
O verdadeiro rombo da Previdência urbana está na concessão de auxílios-doença, nas nas aposentadorias em si. Esta é a opinão do Ministro da Previdência e Assistência Social Nelson Machado. Sua proposta é de redução do limite de valor para o auxílio-doença. Com essa decisão, e mais algumas medidas de gestão, ele garante o equilíbrio das contas previdenciárias pelos próximos quatro a cinco anos.
DÓLAR
Com esse nível de juros, praticamente o mercado inteiro apostando que o dólar baterá em breve os R$ 2,00, apesar das compras maciças do Banco Central. Os juros elevados provocam aumento da dívida e apreciação do real. Para corrigir a distorção, o BC compra reservas, que, com os juros elevados, têm um custo fiscal grande também. Todo esse custo é bancado pelo contribuinte e pela deterioração dos investimentos públicos.
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