Quase extinta, magia do circo sustenta família de Franca


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Ãndré Bartollo cospe fogo durante  apresentação do Circo Show
Ãndré Bartollo cospe fogo durante apresentação do Circo Show
Na simplicidade de um pequeno picadeiro cercado por lonas brancas, azuis e amarelas, a paixão pela arte circense consegue manter acesa a magia da profissão no Circo Show, de família francana. Palhaços, trapezistas, equilibristas e dançarinas arrancam gargalhadas e aplausos do público que, mesmo sem amendoim e pipoca nem globo da morte ou shows pirotécnicos, quer assistir aos espetáculos sob tendas de plástico, e parece gostar do que vê. O Dia do Circo foi comemorado neste 15 de março. Coincidentemente, o Circo Show está em temporada em Franca e permitiu à reportagem conhecer um pouco dos bastidores desse mundo. O grupo tem três anos e é mais um dos circos mantidos pelo francano Jovaldo Barbosa Júnior, 31. A vida circense o acompanha desde a infância, quando seu pai pintava seu rosto de palhaço e o levava para o picadeiro. “Nasci nesse meio. Tudo começou com meu avô. Sou a terceira geração. Amo tudo isso. Está no sangue e, mesmo com todas as dificuldades, não consigo deixar esse mundo”. Alejandro André Bartollo, 23, de São Paulo, é um dos artistas da equipe de Jovaldo. “Corre serragem nas minhas veias. Está no meu sangue mesmo”, disse ele, que faz apresentações desde os 12 anos. Ele herdou o ofício da mãe e dos tios. “Conseguimos levar alegria para muita gente dos 8 meses aos 80 anos. Isso não tem preço”, completou. No Circo Show, está há seis meses e assume vários papéis durante os espetáculos. Na apresentação de anteontem, vestiu-se de palhaço, chupa-cabra (uma pessoa se veste fantasiado de um estranho ser para “pegar” as crianças que erram nas brincadeiras) e mostrou seu talento com chicote e fogo. “No circo, você tem de ser multiuso. Sabendo de tudo um pouco, fica mais fácil ser aceito por outros.” No Circo Show, essa característica tem ainda mais valor. A equipe é pequena.Tem apenas oito integrantes e, muitas vezes, é preciso fazer substituições. Uma das especialidades de André Bartollo é cortar tiras de papéis com chicote. Nas apresentações, já ocorreram acidentes. “Algumas vezes, acertei o dedo das bailarinas que seguram os papeis. Não foi nada grave, mas ficaram muito bravas”. O número exige concentração. Tem de tomar cuidado. “Mas, às vezes, é difícil não levar a tristeza de saudade da família e outros problemas para o picadeiro”, disse ele. André está vivendo um dilema. Por outras cidades que passou, teve relacionamentos amorosos passageiros, mas se diz apaixonado por uma garota de Franca. “Desta vez, estou balançado. Não sei se vou continuar viajando e deixar o namoro para trás”, disse ele, que ganha R$ 150 por mês. Além dos laços, André ainda faz números com tochas de fogo, as quais passa nos braços. Ele também é o apresentador oficial do espetáculo. Para Cláudio Lopes, 36, a vida é um grande treino. Palhaço e equilibrista há 10 anos, aprendeu com um amigo a sustentar objetos no rosto. “Precisei de quatro meses de treino para conseguir colocar a bicicleta em pé no meu queixo. É resultado de dedicação”, disse ele, que veio da Bahia. Ele viaja com Circo Show há cerca de 60 dias. Antes, trabalhava no Circo América. Para Cláudio, a melhor parte de tudo é ser aplaudido pelo respeitável público; a pior, deixar os amigos que conhece em cada cidade em que se apresenta. “Faz parte”, conforma-se. ALEGRIA Mesmo sem o glamour de outros circos, o Circo Show deixou Ana Carolina Freitas, 9, feliz. Ela já assistiu às apresentações cinco vezes de tanto que gostou. “É muito legal e divertido. Tinha que ter mais. Os palhaços contam muitas piadas engraçadas. Eu adoro.” O Circo Show continuará em Franca. Crianças pagam R$ 2 para assistir ao espetáculo da arquibancada e R$ 3 nas cadeiras. Adultos compram o ingresso por R$ 3 e R$ 4, respectivamente. Há apresentações todos os dias às 21 horas. Aos domingos, acontece sessão extra às 16 horas. No Jardim Palmeiras, a lona está montada no campo de futebol. O próximo destino dos circenses não está definido. “É tudo imprevisível. Decidimos em cima da hora”, disse o dono, Jovaldo Barbosa Júnior.

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