Márcio Nunes Aguiar, 37, vendedor de sucos. Gildete Correia da Silva, 52, vendedora de balas. Gerson de Freitas, 64, entregador de panfletos. Essas pessoas não se conhecem, mas têm muito em comum: passam o dia trabalhando nos faróis da cidade e sustentam suas famílias com a renda que obtêm neste negócio. A Prefeitura não tem uma estimativa de quantos ambulantes transitam pelas ruas de Franca e fazem, do farol, seu lugar de trabalho, mas garante: não são poucos os que sobrevivem assim.
Basta dar uma volta pelas ruas para ver a diversidade de serviços e mercadorias oferecidas para quem está parado no trânsito. “Temos desde vendedores de doces e salgados a artistas fazendo malabares”, disse Air Fontanesi, chefe do Setor de Fiscalização da Prefeitura.
A alegria é uma das principais características de quem trabalha nas ruas. Apesar dos dessabores de ouvir muitos ‘nãos’ e, várias vezes, ver o vidro do carro fechar antes mesmo de dizer bom dia, Gildete Correia não se arrepende da escolha que fez. “Vim de Passos (MG) há quinze dias e, de lá pra cá, estou nos semáforos”. Vendendo balas a R$ 1, na esquina da Rua Capitão Anselmo com a Avenida Presidente Vargas, ela pretende pagar R$ 200 de aluguel e comprar alimentos. “Não dá para ganhar dinheiro, mas sobrevivo com o básico. Sei que não consigo emprego por conta da minha idade, então resolvi vir para o farol”.
Trabalhando das 9 às 17 horas, Gildete vende de 3 a 4 pacotes com 21 balas cada. Ela não se queixa do sol árduo e das horas que passa de pé. Pelo contrário, quando recebe um ‘não’ de algum motorista, a resposta é a mesma para quem compra. “Digo sempre vai com Deus”.
Diferentemente de Gildete, Márcio Nunes, já é mais conhecido. Também não é por menos, há 18 anos ele vende suco na esquina da Rua Campos Sales com a Major Nicácio. Criou dois filhos com esse trabalho. Por dia, vende 45 garrafas. “Começo às 10 horas e paro às 16 horas”.
Gerson Freitas não vende, mas encontrou no farol uma forma de ganhar a vida. Ele é aposentado na área de metalúrgica e mora há dez anos em Franca. Nos últimos seis, passa os dias distribuindo panfletos de duas empresas no semáforo próximo a igreja Nossa Senhora das Graças. Dos R$ 20 que ganha por dia, utiliza R$ 4 para o ônibus e R$ 5 para comprar marmita. O restante leva para casa .”Moramos apenas eu e minha esposa. Ela tem diabetes e não pode trabalhar. Tenho que me virar, não posso ficar em casa esperando as contas”.
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