Nove anos sem o síndico


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É algo a ser estudado: mesmo tendo morrido há nove anos (sua última apresentação foi no dia 8 de março de 1998, quando ele deixou o palco depois de cantar duas músicas e seguiu direto para o hospital, onde morreu no dia 15), Tim Maia continua sendo uma das presenças mais marcantes da Música Popular Brasileira. Neste período, seus hits e clips aparecem com a força de um lançamento. Isso sem contar os chamados tributos, com o relançamento de seus (sempre) elogiados discos ou suas composições nas vozes de outros cantores. São nove anos em que não há festa que se preze que não toque pelo menos uma das músicas do “síndico do Brasil” (como bem definiu Jorge Benjor numa de seus sucessos, W Brasil). Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) era um deles. Assim como Descobridor dos Sete Mares, Sossego e Vale Tudo, onipresentes na música brasileira até hoje. Tim Maia foi, acima de tudo, um dos maiores sucessos da música brasileira. Dono de um balanço extremamente brasileiro, passeou entre as baladas como Dia de Domingo e balanços como Do Leme Ao Pontal. Até música regional ele gravou: não é que A Festa de Santos Reis foi um grande sucesso em sua voz? Na mesma época (ainda década de 70, quando ele começava a ser descoberto pelo público), Tim emplacou Coroné Antônio Bento. Não é um prodígio musical? Mais conhecido por seus atrasos, reclamações com os músicos e por deixar de cumprir compromissos quando lhe desse na telha – antes de morrer, tornou-se persona non grata na TV Globo, depois de fazer Fausto Silva anunciar toda a tarde sua presença num Domingão e nem dar satisfações pelo “bolo” –, Tim Maia foi muito mais do que isso: polêmico, falava o que lhe vinha na telha e gravava o que gostava. Ele chegou a tirar de circulação os dois discos que lançou na época em que foi adepto da seita Cultura Racional, em meados da década de 70 do século passado. Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Colecionou desafetos e processos trabalhistas – de músicos contra ele e dele contra gravadoras –, além de renegar publicamente antigas amizades e ameaçar críticos e faltar a espetáculos. Mas aparentemente nada disso interferiu em sua capacidade criadora. Ainda hoje, nove anos após a sua morte, Tim Maia continua mais atual do que nunca. Em 28 anos de carreira (ele morreu com 55 de idade), o carioca Sebastião Rodrigues Maia lançou 32 discos, grande parte deles com mais de uma música no primeiro lugar na execução em rádios e TVs, onde gravou até standards da música norte-americana. Ele tinha cacife para isso! A atualidade de suas músicas colocam Tim Maia, com muita justiça, no rol dos maiores cantores e compositores da MPB. Por isso, continua tocando, encantando e fazendo sucesso.

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