“É meio sinistro pagar sem conhecer a pessoa e ver o produto... mas confiei na empresa e nas pessoas que me atenderam...”, disse um internauta identificado por Araticum em um fórum na internet no dia 10 de fevereiro. Ele comprou um notebook no site da NBL Informática e pagou adiantado com um depósito bancário. A empresa só negociava seus produtos pela internet - a sede em Franca funcionava apenas como um escritório, mas não vendia nenhum tipo de equipamento. Poucos dias depois, Araticum descobriu, como centenas de clientes, que não deveria ter confiado. O equipamento não foi entregue até hoje e os próprios internautas estimam que o golpe tenha gerado prejuízos superiores a R$ 1 milhão.
A fraude é simples: a empresa promete entregar em poucos dias um computador de última geração por um preço camarada. No começo, simpáticos e educadíssimos, os vendedores respondem a todas as perguntas, sempre via e-mail ou telefone, e pedem que o cliente deposite no banco o dinheiro referente a entrada ou, em alguns casos, de todo o produto. Enquanto o cliente espera o computador chegar, a empresa, os endereços, os vendedores, o site, a loja... tudo vira fumaça.
O registro da NBL Informática na Receita Federal foi feito em nome de Wesley Eduardo Oliveira da Silva. No dia 27 de novembro de 2006, teve o CNPJ (08.464.563/0001-42) liberado. Não demorou a fazer vítimas.
O medo dos clientes de terem caído em um golpe começou no dia 26 de janeiro quando foi criado um fórum - um grupo de discussão - criado no site Clube do Hardware. Nos dias seguintes, mais de 50 pessoas, preocupadas com a compra que fizeram, começaram a participar do grupo. Muitos e-mails e telefonemas foram disparados para a empresa. Gentis e atenciosos, os atendentes informavam problemas com a importação dos computadores para justificar os atrasos.
“Bom pessoal, acabei de ter uma conversa séria com o Eduardo, da NBL. Pelo que vi, fui um dos primeiros a comprar lá e ele me garantiu ser uma empresa séria e que meu notebook já está a caminho por uma transportadora, inclusive me deu o número da NF (sic)”, diz outro internauta, identificado como Richelmo. A promessa do vendedor, contudo, não foi cumprida. Pouco tempo depois, os funcionários e gerentes da empresa não foram mais encontrados, os atrasos só pioraram e os três telefones que a empresa divulgava deixaram de funcionar.
Na tarde de ontem, a reportagem do Comércio visitou dois endereços onde a empresa poderia estar instalada. O primeiro, que constaria do CNPJ, fica na General Telles. Lá, dois funcionários do edifício onde a empresa funcionaria, que pediram para não ser identificados, garantiram que a NBL Informática nunca esteve instalada no local. Disseram ainda que mais de 20 pessoas foram até o prédio nos últimos 40 dias para tentar localizar seus donos.
No segundo endereço, na Rua Monsenhor Rosa, os vidros insufilmados praticamente impedem que as pessoas do lado de fora vejam o interior da sala comercial. Só resta uma estante de madeira e duas mesas de escritório com meia dúzia de cadeiras espalhadas pelo cômodo. Sobre elas, uma lata de refrigerante e um tapete de mouse para indicar onde antes estivera um computador. Os vizinhos têm pouco a acrescentar. Pelo que se sabe, apenas uma mulher - que seria a secretária - trabalhava na loja, que teria ficado instalada no local por menos de 30 dias.
Na pastelaria em frente, onde ela comia com freqüência, a única indicação é de que o grupo seria de Ribeirão Preto.
NA POLÍCIA
Até a tarde de ontem, 15 Boletins de Ocorrências já haviam dado entrada na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca. São moradores de Tocantins, Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, entre outros Estados. Todas compraram notebooks da NBL e ficaram sem dinheiro e sem computador. As vítimas acreditam que a empresa teria fechado mais de 500 vendas pelo preço médio de R$ 2,5 mil cada.
Devido ao grande número de BOs e denúncias, o Ministério Público solicitou o bloqueio judicial de uma das contas da NBL em Franca, mas os picaretas sacaram todo o dinheiro antes e desapareceram. A polícia procura os envolvidos no golpe e acredita que Wesley Eduardo Oliveira da Silva, morador de Ituverava, apesar da coincidência de ter o mesmo nome que o vendedor mais conhecido entre os clientes, seria apenas um “laranja” no esquema.
Agora, o site da NBL consta como bloqueado ou inexistente. Exibe apenas um suposto comprovante de inscrição na Receita Federal. No Google, um dos mais influentes sites de busca da internet, ao pesquisar ‘NBL Informática’ aparecem 5040 citações. Grandes sites de compras, como Terra Shopping, Yahoo! Shopping e Buscapé ainda têm na relação de empresas indicadas, a NBL.
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