“Um vizinho indesejado”. É assim que muita gente define como é morar ao lado de terrenos baldios tomados por matagais. As reclamações vão de insetos a montanhas de lixos que esses locais abrigam. Há três meses morando na Avenida Lisete Coelho Lourenço, no Jardim Tropical, o casal Maria de Paula Vilaça, 32, comerciante, e José Maurício da silva, 46, vendedor, sabem bem como é ter como vizinho um lote em construção. Pais de duas crianças, uma de quatro e outra com menos de um ano, Paula e José vivem fazendo buscas a insetos na casa. “Já encontrei dois escorpiões. Aranhas, perdi a conta”, disse Paula.
O casal afirma que nunca viu ninguém limpar o terreno e nem fiscais da Prefeitura fazendo vistorias. Inclusive já reclamaram. “Liguei duas vezes na Prefeitura pedindo providências, mas as atendentes não sabiam me informar com quem deveria falar. Chegaram a dizer para eu ir pessoalmente, mas não posso”, contou Paula.
O indesejado vizinho do casal abriga não apenas insetos e animais mortos. Ele atingiu a calçada, que se transformou em depósito de lixo doméstico. “Cansei de ver pessoas jogando sujeira ali, mas é complicado você falar. Não quero me indispor com ninguém. É tanto mato que vou falar o que para as pessoas?”, disse Artolino Augusto Martins, 61, também morador na avenida.
Com a estiagem, não são apenas os moradores do Tropical que reclamam da grande quantidade de matos em terrenos baldios. Vila Santa Cruz, Santa Terezinha, Flórida e Parque dos Lima estão entre os bairros com as maiores reclamações de leitores do Comércio. No Jardim Lima, uma única rua, a Gerônimo Rodrigues Pinto, tem mais de seis terrenos tomados por matos.
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