Maldita, casa da chacina fica desocupada


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Carpir o mato, tirar o pó dos cômodos, lavar a garagem e o pequeno quintal. Estas são algumas das tarefas de Antônio Roberto da Silva, irmão de Maria Aparecida da Silva, matriarca da família dizimada por Carlos Fabiano Faccion, 29, cinco anos atrás. Ele é o único freqüentador da casa, que fica no número 155 da Rua Luís Tassinari, no Jardim Nova Alvorada, em Batatais. O problema do imóvel está em sua história: foi palco do crime mais sangrento já registrado na região. Em 26 de março de 2002, Carlos Fabiano Faccion, 29, a então namorada, Edna Emília Milani, 25, e o, na época, menor de 13 anos, CRSD, mataram cinco pessoas da família de Fabiano (uma delas grávida) e ainda feriram outras duas em estado grave. Morreram o pai dele, a mãe, três irmãos. Julgados e condenados, as penas do casal, somadas, chegam a quase 273 anos de prisão - 132 anos, dez meses e oito dias para ela, julgada em maio de 2006, e 140 anos, um mês e oito dias para ele, julgado na última semana, dias 7 e 8. CRSD, hoje com 18 anos, passou pela Febem, mas já está em liberdade. A casa que foi palco da tragédia é utilizada hoje por Silva para abrigar sua antiga Belina. Uma vez por semana, é ele quem faz a manutenção da casa. A afirmação é da mulher dele, Márcia Helena Botelho, que adotou Luis Henrique Faccion, hoje com 12 anos, um dos sobreviventes da chacina, após o crime. “Meu marido guarda o carro lá e uma vez por semana ele dá manutenção, para não virar um matagal e ficar tudo abandonado”, disse. Segundo ela, a família pretende vender o imóvel assim que o mesmo for liberado pela Justiça. “Tem muitas coisas para resolver. Dos filhos do casal assassinado, só sobraram o Fabinho (autor da chacina) e o Luís Hen-rique. No nosso entendimento, o Luis Henrique é o principal herdeiro. Queremos vender, quando for permitido, e investir o dinheiro no menino (Luis Henrique)”, afirmou Márcia. O garoto teve perda de massa encefálica e tem, hoje, dificuldades nas funções motoras. Diferente do que ocorria à época do crime, hoje há vizinhos nas proximidades. Freqüentemente, as pessoas que passam em frente à residência olham e comentam que ali ocorreu a chacina, de repercussão nacional - a primeira registrada na cidade e a primeira ocorrência na região de Franca. Segundo os vizinhos, algumas pessoas ‘desavisadas’ se interessam em comprar a casa, mas logo desistem quando descobrem que ali foi o cenário da tragédia.

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