Agora é oficial. Jornalistas não são bem-vindos no plenário da Câmara de Franca. O presidente Joaquim Ribeiro (PSB) radicalizou a "recomendação" dada à imprensa há uma semana e decretou: não quer saber de repórteres no interior do espaço.
A intenção de Joaquim ficou clara antes mesmo do início da sessão. O repórter do Comércio Wildnei Teodoro, foi "convidado" a deixar o plenário de maneira pouco amistosa. "Se você não sabe, a sala de imprensa é ali", disse Joaquim, que apontou, ato contínuo, o cubículo de pouco mais de dez metros quadrados reservado aos jornalistas do lado de fora do espaço onde ficam os vereadores.
Além de Wildnei, Samuel Cintra, da TV Record e da rádio Hertz, e Eduardo Schiavoni, do Comércio, tiveram o acesso impedido. "É absurdo. A imprensa de Franca, que é crítica, vem aqui para divulgar as informações para a população. Toda crítica incomoda, mas eles são homens públicos e têm que se acostumar", disse Cintra.
O ato intempestivo causou reações entre os vereadores. Silas Cubas e Gilson Pelizaro (PT), o vice-presidente, Marcelo Valim (PSDB), e o primeiro-secretário, Luiz Carlos Fernandes (PDT) reprovaram publicamente, da tribuna, a ação.
"O senhor, que é um homem conhecido por sua serenidade, deveria repensar a decisão. Nós precisamos da imprensa, não podemos impedi-la de trabalhar", disse Valim.
Já o oposicionista Pelizaro foi mais enfático. "O conflito não é bom para ninguém. Antes de chamar a atenção ou vetar a imprensa, é preciso corrigir a displicência dos próprios colegas vereadores".
Os únicos "favoráveis" à medida foram o líder do governo, Jepy Pereira (PSDB), e Marcelo Mambrini (PMN), presidente da Câmara em 2006. "Parabenizo o presidente por ter tomado essa atitude. No ano passado, tentei organizar a Câmara, com muito menos veemência, e fui criticado", relembrou Mambrini.
A opinião de Joaquim, contudo, não foi modificada pelas considerações dos vereadores. "Posso até ser criticado, mas vou até o fim. Não vou voltar atrás", afirmou.
Alheio à celeuma, o zelador Alexandre de Paula Hadad foi escalado para "barrar" a entrada de profissionais no plenário. "A determinação passada pelo doutor Joaquim é que a imprensa deva ficar de fora", disse Hadad, quando questionado se a entrada seria possível.
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