Marcela é submetida a novo exame


| Tempo de leitura: 3 min
A pediatra Márcia Barcellos (de preto) prepara Marcela para o exame de ressonância magnética que foi coordenado pelo médico João Soares (de óculos), no Hospital São Joaquim. Marcela estava usando um vestido
A pediatra Márcia Barcellos (de preto) prepara Marcela para o exame de ressonância magnética que foi coordenado pelo médico João Soares (de óculos), no Hospital São Joaquim. Marcela estava usando um vestido
Eram 10h30 de ontem quando a UTI móvel estacionou em frente à entrada de emergência do Hospital Unimed São Joaquim, em Franca. Dentro, estava a pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro na Santa Casa de Patrocínio Paulista. Ela estava inquieta, não parava de balançar os bracinhos. Parecia estar estranhando toda aquela agitação. De vestidinho branco todo rendado, ela chegou cercada de cuidados para um exame de ressonância magnética. A preparação para a segunda “viagem” da vida de Marcela começou às 8h30, em Patrocínio (a primeira viagem de Marcela a Franca foi no dia 21 de novembro, um dia após seu nascimento, quando fez uma tomografia). Depois de tomar banho, ela ingeriu 40 ml de leite e vestiu a roupa que ganhou da bisavó de 90 anos. Enfermeiras, médicos e populares se concentraram na porta da Santa Casa da vizinha cidade para acompanhar a saída da criança. Já em Franca, a chegada foi bem mais discreta. Só a equipe que a acompanhava na UTI e a do hospital tiveram contato com ela. Quem não desgrudou os olhos do bebê foi a mãe, Cacilda Galante, que fez questão de acompanhar a filha. “Não tive coragem de deixar ela vir sozinha. Não ia agüentar ficar lá esperando”, disse. A médica pediatra Márcia Barcellos, que acompanha a criança desde o nascimento, também não saiu de perto durante a “viagem” e disse que o bebê não apresentou nenhum problema durante o itinerário. Para evitar complicações, Marcela foi transportada juntamente com o capacete de oxigênio, que ela usa desde os primeiros dias de vida. Assim que chegou ao hospital, Marcela foi levada direto para a sala de exame. Uma equipe de 12 pessoas, comandada pelo médico radiologista João Soares Leite Filho, examinou o bebê durante 40 minutos. “Ela não parou de mexer e foi preciso fazer a ressonância duas vezes”, disse. A pediatra teve que ficar segurando a cabecinha dela. [FOTO2] A ressonância magnética é um método de diagnóstico que permite retratar imagens de alta definição dos órgãos do corpo, no caso de Marcela, da cabeça. O resultado mostrou que o tronco cerebral - que mantém o pulmão e coração funcionando - se desenvolveu junto com o corpo do bebê, que cresceu dez centímetros. Mesmo assim, não há como precisar quanto tempo a criança sobreviverá, já que sua situação é irreversível. Marcela não possui cérebro, por isso não tem emoções e nem sente dores. “O exame confirmou e mostrou com mais clareza que o bebê possui apenas o tronco cerebral”, disse Márcia. Enquanto isso, Cacilda aguardava na sala de espera. Apesar de estar ansiosa pelo fim do exame, se mantinha forte. “Se eu agüentei até agora, suporto um pouco mais”, afirmou e fez questão de mostrar a imagem de Nossa Senhora de Fátima que usa como broche na blusa. “Rezo todos os dias e peço pela minha filha”. Ao fim do exame, a UTI móvel levou Marcela de volta para a Santa Casa de Patrocínio Paulista. É lá que Cacilda espera ver a filha completar 4 meses de vida no próximo dia 20 de março.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários