O médico João Soares Leite Filho, responsável pela ressonância magnética de Marcela de Jesus, disse que mesmo com o exame mais detalhado não é possível precisar quanto tempo o bebê ainda viverá. “Não tem como prever. Eu já tive contato com outros casos de anencefalia, mas nenhum viveu tanto quanto ela, que está prestes a completar quatro meses”, disse o médico.
Soares Filho disse que a criança tem um distúrbio respiratório e que, por isso, necessita do capacete de oxigênio para continuar respirando. “O caso dela é muito interessante. Por isso, vou levar o exame para ser avaliado por colegas de Ribeirão Preto, onde também trabalho no Hospital São Francisco”.
Apesar do médico não fazer previsões quanto ao tempo de vida da criança, a medicina não apresenta um diagnóstico favorável. Segundo um dos maiores nomes da Neurologia Infantil do Brasil, o médico Aron Diament, nenhum bebê anencefálico sobreviveu aos quatro meses de vida.
A médica pediatra Márcia Barcellos, que acompanha a criança desde o nascimento, também não faz previsões sobre o futuro do bebê. Por outro lado, o resultado da ressonância magnética não apresentou nenhuma surpresa. “Infelizmente já existe o diagnóstico e não estávamos esperando nenhum outro resultado. Até porque a tomografia já havia mostrado que ela tinha apenas o tronco cerebral. Só queríamos um exame mais detalhado, porque a sobrevida dela é rara”, disse.
Ao fim do exame, foi constatado que o tronco cerebral que Marcela de Jesus possui (e que a mantém viva) acompanhou seu crescimento.
Segundo a pediatra, não tem como precisar quanto ele cresceu. “Foi proporcional à médula óssea”, afirmou a médica. Desde que nasceu, ela ganhou 11 cm, chegando a 58 cm atualmente. Também engordou, passando de 2,5 para 3,5 quilos.
DOAÇÃO
O exame de Marcela foi doado pelo Hospital Unimed São Joaquim, já que em Franca é feito apenas em sistema particular e custa R$ 800. A UTI móvel foi fornecida pela DIR-13 (Direção Regional de Saúde). “A família não teria condições de arcar com essas despesas e seria inviável levá-la até Ribeirão Preto, onde o exame é feito pelo SUS”, disse o coordenador de saúde de Patrocínio Paulista, Geter Simão Ferreira, que coordenou a realização da ressonância.
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