Samello confirma dívida de R$ 90 mi e põe tudo à venda


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O presidente da Calçados Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, diz estar confiante na aprovação do plano de recuperação judicial
O presidente da Calçados Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, diz estar confiante na aprovação do plano de recuperação judicial
Está tudo à venda. Com uma dívida de R$ 90 milhões e descapitalizada, a Calçados Samello está disposta a desfazer de seu vasto patrimônio para levantar recursos. Assim, além dos imóveis previstos no plano de recuperação judicial vivenciado pela empresa, todos os outros prédios, áreas rurais e urbanas estão disponíveis para negociação. A empresa divulga também, na edição de hoje do Comércio, a lista corrigida de todas as suas dívidas (ver caderno de Classificados). Segundo o advogado da empresa, Reginaldo Stephanelli, a venda de imóveis é a única saída para levantar recursos para voltar a produzir e, assim, pagar as dívidas. “Não há capital de giro. Partindo daí, todos os imóveis do grupo, menos os particulares, estão à venda, independente do processo de recuperação”, disse o advogado. “Inclusive a fazenda do Mato Grosso (Sudamata, avaliada em R$ 60 milhões) e as 50 unidades do Hotel Comfort”. O preço de cada apartamento, segundo fontes do ramo imobiliário, seria superior a R$ 50 mil. Em relação à publicação da nova lista de credores, não houve surpresas. O valor final é praticamente o mesmo da primeira divulgação, em dezembro do ano passado. O montante, referente a débitos da matriz francana, da filial da Paraíba e com o INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social), ficaram na casa de R$ 90 milhões. A maior parte das dívidas é pertinente a Franca. São R$ 61,2 milhões, sendo R$ 6,8 milhões para os trabalhadores, R$ 20,3 para credores com garantia, principalmente bancos, e R$ 33,9 milhões para fornecedores. Na Paraíba, a dívida é de R$ 1,8 milhão para os ex-funcionários e R$ 230 mil para ex-parceiros comerciais. Além desses valores, há uma outra grande dívida com o INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social), que estaria acima de R$ 25,5 milhões. Segundo Stephanelli, o juiz responsável pelo processo, Orlando Brossi, estipulou o prazo de 30 dias para que haja qualquer outra contestação dos valores por parte dos credores. Na seqüência, convocará uma assembléia entre ex-funcionários, bancos e fornecedores. “Se tudo correr bem, entre maio e junho o processo estará aprovado. Acredito nisso, pois uma eventual falência seria ruim para empresa e credores”, completa o advogado. PÉS NO CHÃO O plano de recuperação da Samello tem ambições modestas. Tanto que a previsão é de, em 2019, faturar R$ R$ 34,7 milhões por ano, menos de um terço do resultado obtido em 2004, por exemplo, que foi de R$ 109,4 milhões. Quanto às dívidas, elas persistirão daqui a 12 anos. Dos atuais R$ 90 milhões, a expectativa é que o montante diminua para R$ 34 milhões no ano que vem; R$ 30 milhões em 2011 e R$ 20 milhões em 2019. Esse último valor, segundo a advogada da Samello em São Paulo, Simone Barros, seria “perfeitamente administrável com a fábrica produzindo”.

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