A vida é um dom sagrado que nos é ofertado por Deus. Por isso, só Deus, na sua infinita sabedoria e misericórdia, pode governar a vida. E a vida, muitas vezes, apresenta surpresas que nos deixam embasbacados. Como explicar certos acontecimentos, certas situações, com o nosso raciocínio limitado, com nossa visão apoucada? Somente uma visão panorâmica poderá falar de fatos que nos escapam ao entendimento. E esta visão panorâmica nos é dada pela perspectiva espiritual, isto é, pela aceitação de que a vida não começa no berço e, também, não termina no túmulo. Nos planos de Deus não há morte. Só há vida. Em várias dimensões, em outras vibrações, mas, sempre, a vida.
Daí porque não podermos aceitar o abortamento como solução para qualquer problema. Aí está a pequena Marcela nos seus #mais de 100 dias de existência demonstrando o erro de se extinguir a vida na suposição de que seria o melhor para ela. E o que dizer-se da família Beethoven que possuía 2 filhos deficientes e, certamente, o terceiro seria, também, deficiente ? Só que o terceiro era o genial Beethoven. Pela lógica imediatista a mãe deveria tê-lo abortado e a humanidade teria perdido seu grande compositor e a música teria ficado mais pobre.
No Espiritismo aprendemos que o abortamento só deve ser praticado quando a vida da futura mãe corre risco. Assim mesmo depois de se ouvir a opinião de dois facultativos, pelo menos. No mais, a vida é sagrada e não pode ser interrompida por ninguém. Dirão alguns: do que valerá viver alguns dias, se a morte é inevitável? Para o espírito recém-chegado à Terra estes `alguns dias` são de uma importância imensa. Podem, estes dias, representar uma oportunidade de resgate de alguma nódoa perispiritual que ainda remanesce no Ser. Ou, quem sabe, um ensaio para uma outra encarnação que no futuro será mais demorada. Assim, matar nunca, pois a morte do corpo não mata o espírito. Mesmo porque o mandamento da Lei - o 5º. Mandamento - é finalista: Não matarás! Portanto, não podemos burlar a Lei arrumando saídas para justificar um ato injustificável. Sobretudo considerando-se que o feto é indefeso, não tem como fugir ao intento dos que lhe querem exterminar a vida. É uma luta desigual, desleal, inglória.
Alguém dirá: a mãe tem o direito de decidir sobre a própria vida.
Claro que tem. Mas, no caso do abortamento, já não se trata de decidir-se pela própria vida e, sim, pela vida do outro. Que tome precauções, que tenha sexo responsável, que não se deixe levar pelas paixões e emoções inconseqüentes. Entretanto, matar nunca!
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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