Época de (ir)responsabilidade


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Toalha molhada em cima da cama, quarto bagunçado, roupas e sapatos espalhados pela casa, pilhas de louças acumuladas na pia, música alta e nada de limites ou horários para chegar em casa. Assim é a vida da maioria dos jovens universitários que moram em repúblicas. Considerada a melhor fase da vida, de muita liberdade e diversão, o período de faculdade é também o momento de adquirir experiências, sentir saudades da família e assumir novas responsabilidades. Nessa nova fase, quando muitos jovens precisam mudar de cidade, a opção de morar em uma república é a mais acertada, principalmente no que diz respeito à economia - e às festas. “Optamos por morar juntas para baratear os custos de aluguel, condomínio, taxas de água, luz e comida. Tudo é dividido em grupo, fica bem mais barato”, disse a estudante de moda Marcela Soares, 20, que junto com outras cinco meninas moram em uma república no condomínio Villa Brasil, próximo à Unifran (Universidade de Franca). Mas não é somente o motivo dos baixos custos que atraem os estudantes: há também “alguns detalhes muito importantes” que chamam a atenção deles. “É muito bom morar longe dos pais. Claro que sentimos muitas saudades deles, mas ter liberdade para fazer festinhas, sem ter que ficar avisando a hora que vamos sair ou chegar é uma sensação de independência muito boa”, acrescenta a universitária. Porém, para conviver longe dos pais e em harmonia com os colegas de república é preciso algumas regrinhas básicas. “Todas aqui temos que emprestar a maquiagem uma para outra, afinal, somos quase irmãs e temos que ser unidas em tudo”, disse a estudante de veterinária Everly Dualattka, 21. Mas quem pensa que só de festas vive uma república está muito enganado. “Acho que a parte chata é ter que controlar os gastos, fazer as contas e dividir as tarefas de casa. O resto até que dá para agüentar” disse Caroline Ferreira, 19, que cursa enfermagem. No condomínio onde elas vivem, o aluguel, de cerca de R$ 600, é dividido entre todas as moradoras, que racham ainda as demais despesas. ALA MASCULINA Já na turma dos rapazes, as regras mudam um pouco, afinal, muitos não sabem lavar, passar ou até mesmo cozinhar. Mas esse último item parece não ser um problema na casa dos oito universitários visitados pela reportagem do Comércio no último sábado. Os jovens têm a sorte de ter entre os eles o estudante Renato Carvalho Vieira, 25. Cursando gastronomia na Unifran, ele sempre se arrisca na cozinha e muitas vezes usa os amigos como “cobaias”. Prova disso é que, durante a reportagem, a turma fazia um belo churrasco de fim de semana e o chef de cozinha, claro, era Renato. “Um delicioso churrasco no fim de semana não pode faltar de jeito nenhum e por que não no meio da semana? Aqui não tem regra nenhuma para curtição”, disse o futuro chef, que adora fazer festas em sua república. Entretanto, o grupo também concorda que, às vezes, é ruim não ter um toque feminino em casa. “A gente passa por alguns apertos nas tarefas domésticas”, ressalta o estudante de química industrial Diego Caproni, 17, que logo já encontra uma solução. “Sem a diarista não viveríamos”, conclui.

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