Já estamos vivendo o terceiro domingo da Quaresma em preparação para a Solene Festa da Páscoa. A cada domingo, Deus fala conosco, indicando-nos o que é necessário fazer para ser livre e experimentar seu infinito amor.
Hoje, no livro do Êxodo, é descrito o diálogo entre Deus e Moisés. Este entende que o Senhor precisa dele e que deve se aproximar dos israelitas para libertá-los da escravidão em que vivem.
Moisés quer saber qual é "o nome de Deus". Deus responde a Moisés: dirás aos israelitas: "Eu sou aquele que sou". Parece estranho tal nome, mas, significa: vereis, por aquilo que farei, quem sou eu!
Os israelitas verão um Deus que não fica tranqüilo no paraíso, alheio às necessidades do seu povo querido. O Deus que se revela a Israel é um Deus que participa com paixão dos problemas do seu povo, que não tolera a opressão sobre os fracos e que intervém para libertar. Deus hoje não mudou de nome. Ele é sempre aquele que é sensível aos gritos de quem sofre, que continua sendo o libertador.
A segunda leitura é colhida da primeira carta aos Coríntios. O apóstolo Paulo alerta que os cristãos devem lembrar-se de que os benefícios de Deus não operam de maneira automática e quase-mágica. Não basta ter acreditado em Cristo, ter sido batizado, ter recebido o Espírito, ter-se alimentado da Eucaristia, é preciso levar uma vida coerente, caso contrário os cristãos também poderão perder-se e nunca encontrar a verdadeira vida.
Por meio do evangelho narrado por São Lucas, Jesus não age pelo impulso como queriam, mas serenamente revela quem é, para quê veio ao mundo e o que é preciso fazer aqueles que o recebem. O ensinamento do evangelho é claro: daquele que ouviu a mensagem do Evangelho, Deus espera frutos saborosos e abundantes. Não quer práticas religiosas externas, não se satisfaz com aparências: Ele procura obras de Amor.
O tempo da vida é precioso demais para que da mesma se possa desperdiçar um só instante. O nosso Deus que é o Pai de Nosso Senhor jesus Cristo é paciente, tolerante com a fraqueza humana, compreensivo com a dureza da nossa mente e do nosso coração.
No terceiro domingo da Quaresma somos chamados a olhar e aproveitar este tempo "de graça", como um "novo tempo" precioso que nos é concedido para que surjam frutos de conversão. Se ainda não decidimos converter-nos, modificando nossos pensamentos, nossos projetos, nossas atitudes, chegou a hora de fazê-lo agora.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é Pároco da Catedral de Franca
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