Eles fazem a alegria e realizam a fantasia de milhares de pessoas, principalmente de sexta-feira a domingo. Os serviços que oferecem vão além da básica cama redonda com espelho no teto. Existem apartamentos equipados com boate, sauna, ofurôs, tetos que se abrem para mostrar o azul do céu ou estrelas à noite e até piscina com escorregador para os clientes deixaram a imaginação aflorar. Sem contar a “ajudinha” com aluguéis de algemas, chicotes, máscaras, velas ou ambientes decorados. Mais de 20 motéis são disputada opção de lazer na cidade, refúgio para namoros extra-oficiais ou foram transformados em moradia. Manuel Ferreira, de São Paulo, por exemplo, mora no Keop’s Motel há 9 anos.
As idades dos clientes que freqüentam as “casas de prazer” são diferentes. Os valores e companhias idem. “Acontece de recebermos dois rapazes com uma mulher, dois casais para o mesmo quarto e homossexuais também, é claro. Cobramos taxa adicional pela terceira pessoa”, disse um funcionária que não quis se identificar.
Em Franca, há opções para todos os bolsos e gostos. A reportagem consultou 12 motéis e a crise enfrentada pelo setor calçadista não afeta em nada o mercado do prazer, que movimenta milhares de reais mensalmente na cidade. Entre os preços mais baratos, estão algumas suítes do Fabriza Motel, que custam R$ 10 a hora ou R$ 20 se o prazer durar de duas a seis horas. Esse valor dá direito a um quarto com cama e banheiro. Os únicos acessórios são o ventilador e o tradicional espelho. Não há estacionamento privativo. “Franca não tem muita opção de lazer, por isso os motéis são tão procurados. Se é bom, organizado, limpo e barato, atrai mesmo”, disse Fabrício Silva, gerente do estabelecimento, que fica no Jardim Guanabara.
Dentre os mais caros, está a Suíte Delirium, no Motel Castelo, que tem quinze anos. É uma casa. Com três ambientes, o quarto conta com cama redonda, pista de dança com globo e luzes neon, banheira com hidro, sauna e uma cadeira erótica para os clientes explorarem a imaginação; há espaço para refeições e lazer, com piscina ao ar livre e cadeiras de sol. “Dá para passar férias aqui e é bem mais barato que em hotéis”, brinca Berenice Freitas, proprietária dos Motéis Castelo, Keop’s e Mega Suíte.
Para desfrutar de tanto luxo, os clientes pagam R$ 125 por duas horas se a “festa” for durante a semana à noite ou sábado e domingo, mas se quiser mais, poderá gastar o mesmo valor e ter tempo livre se o passeio for feito entre 7 e 19 horas nos dias da semana. Como o movimento é menor, os motéis suspendem o limite de horas.
Os apartamentos simples são os mais procurados. Os luxuosos ficam reservadas para datas especiais... A procura é maior durante a noite, mas é aos fins de semana “que o bicho pega”. Aos sábados e domingos, o movimento dobra. “Depois do pagamento também é uma loucura. Temos que virar ligeirinhas para dar tempo de limpar os quartos e não perder clientes”, disse a encarregada da limpeza de um dos motéis, que pediu anonimato.
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Roberto (nome fictício) já percebeu os dias de fila. Ele se recorda bem de uma bela sexta-feira em que percorreu quatro motéis e esperou uma hora e meia até conseguir uma suíte livre. “Não foi fácil”, disse ele, que tem 23 anos e freqüenta motéis desde os 19. Se tem dinheiro, vai com a namorada duas vezes por semana e chega a gastar R$ 200 por mês com a diversão. “Gostamos muito de ir, ficamos mais à vontade sabendo da privacidade que temos. Sentimos como se tivéssemos isolados do mundo.”
Quem trabalha no segmento não tem médias de clientes que atendem. “Todo dia tem gente. É difícil medir quantos usuários recebemos”, disseram funcionários. Mas, para se ter idéia, apenas um deles, faz 2 mil locações de apartamentos todos os meses. “Temos bom aproveitamento. Considerando a estagnação da economia no País e todos encargos que temos, a sobrevivência e volume de motéis na cidade é sinal de ser um bom negócio”, disse Berenice, sem citar o faturamento de seus três motéis dos quais é dona na cidade.
Colaborou Mônica Carvalho
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