A Amazonas poderá cortar, a partir de abril, os convênios médicos de 450 aposentados e de seus familiares. A medida faz parte de um pacote que prevê um enxugamento nas despesas da empresa, que atravessa dificuldades financeiras nos últimos anos. “Infelizmente, há atitudes chatas que temos de tomar. Essa é uma delas”, disse Saulo Pucci Bueno, diretor do grupo. O benefício não é previsto por lei e é cedido pela Amazonas com uma espécie de bônus aos aposentados.
O empresário não soube precisar o valor individual de cada convênio, nem o total a ser economizado, mas afirmou que muitas outras iniciativas têm sido tomadas com o objetivo de adequar os gastos à nova realidade da Amazonas. “Hoje, temos uma estrutura muito maior do que o mercado comporta. Se não arrumarmos a casa, poderemos entrar em um caminho sem volta e é tudo que não queremos”, disse.
Segundo Bueno, o setor de Recursos Humanos negocia com a Unimed um desconto para que a medida não seja efetivada, mas ainda não há nada acertado. “Há conversações. De repente, abaixam o valor esse ano e voltam ao normal no ano que vem. Aí, dá para manter. Mesmo que cortar, quando tomarmos um fôlego, retomamos. Mas, por ora, ainda não tem como prometermos nada”, disse.
A Amazonas, há um ano, é administrada pelo executivo Antonio Carlos Ferreira, contratado para enxugar e viabilizar suas finanças. A família Pucci, que esteve no controle desde a fundação da empresa, em 1947, participa do conselho de acionistas, mas deu autonomia total a Ferreira.
“Já evoluímos muito, os resultados estão aparecendo. Mas algumas medidas ainda serão implementadas para não termos que chegar a um ponto tão radical como o que a Samello atravessa hoje”, disse Bueno.
SAMELLO
A Calçados Samello não conseguiu concluir a nova listagem de seus credores, cuja previsão de publicação era ontem. Segundo o advogado da empresa, Reginaldo Estephanelli, foram necessárias algumas alterações, o que acabou atrasando a conclusão do documento. “O juiz fez pequenas ressalvas, que deveremos corrigir até a próxima terça-feira. Nada que possa atrapalhar o processo”, disse.
A relação deverá trazer os nomes e valores dos créditos que trabalhadores, bancos e fornecedores têm a receber e totalizam aproximadamente R$ 90 milhões. Sua publicação faz parte da recuperação judicial enfrentada pela Samello desde o fim do ano passado.
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