Invasoras deixam usina e vão para SP


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Não durou muito o protesto organizado por mais de 800 mulheres da Via Campesina, versão feminina do MST (Movimento dos Sem-Terra), que invadiram na manhã de quarta-feira a Usina Cevasa (Central Energética do Alto Sapucaí), em Patrocínio Paulista. No fim da tarde, as invasoras deixaram a área rumo a São Paulo para participar de uma manifestação contra o presidente americano, George W. Bush, que chegou ontem ao Brasil para, entre outros assuntos, conhecer a produção de etanol (combustível produzido a partir da cana-de-açúcar). Ontem o clima era de tranqüilidade na usina. Os funcionários voltaram ao trabalho normal. O entra e sai de caminhões na empresa, impedido no dia da invasão, também foi normalizado. Na quarta-feira, o grupo de mulheres se espalhou por todo o gramado em frente à empresa para protestar contra a monocultura da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. As invasoras passaram o dia gritando e cantando músicas do MST sobre reforma agrária. “Elas saíram pacificamente. Felizmente não depredaram nada, só deixaram muita sujeira”, disse um dos seguranças da guarita de acesso à Cevasa, Wagner Crispim. Como ficaram pouco tempo no local, as mulheres não chegaram a montar barracas. Apenas uma enorme lona foi erguida próximo à guarita para se protegerem do sol. “Elas também fizeram um almoço coletivo e no fim da tarde foram embora”, afirmou Crispim. PROPOSTA Uma das líderes da Via Campesina, Cláudia Praxedes, 27, disse que a Usina Cevasa foi escolhida para a manifestação por ter vendido parte do seu capital para a Cargill (empresa líder em agronegócio). “O agronegócio não é interessante para o pequeno agricultor. Temos que lutar pela agricultura familiar e é isso que estamos fazendo. Se a cana continuar invadindo, não vai sobrar espaço para o pequeno agricultor. Além do prejuízo ambiental, a cana também não gera tanto emprego”, disse ela, durante a invasão. A ação da Via Campesina reuniu mais de 4 mil mulheres e aconteceu simultaneamente em sete Estados.

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