Faccion condenado a 140 anos de cadeia pela chacina de Batatais


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Faccion deixa o fórum de Batatais algemado: pena de 140 anos
Faccion deixa o fórum de Batatais algemado: pena de 140 anos
Culpado. Com essa pequena frase acabou, às 17h50 de ontem, o julgamento de Carlos Fabiano Faccion, 29, o “Fabinho”, co-autor do crime mais chocante da história de Batatais. Ele, que matou cinco membros de sua própria família, foi condenado a 140 anos, um mês e oito dias de cadeia por cinco homicídios consumados, dois homicídios tentados e um aborto. Ele voltou ontem ao CDP de Ribeirão Preto, de onde deve ser transferido para uma penitenciária em data não definida. O crime, que ficou conhecido como “Chacina do Alvorada”, aconteceu em 26 de março de 2002 e havia começado a ser julgado às 9h35 da última quarta-feira. Os sete jurados permaneceram reunidos e incomunicáveis em uma sala por cerca de duas horas para julgarem os oito crimes pelos quais Fabinho era acusado. Por unanimidade, condenaram Fabinho e a juíza Daniele Regina de Souza leu a sentença para um público de 50 pessoas, incluindo familiares das vítimas, que se mostraram aliviados. “Achei ótimo e tenho fé que a lei mude e que ele não fique só 30 anos na cadeia. Quero que ele fique para sempre”, disse Márcia Helena Botelho, tia de Fabinho, que adotou Luis Henrique Faccion, 12, um dos sobreviventes da chacina. Demonstrando satisfação com a condenação do réu, Márcia encontrou espaço para um comentário descontraído. “Só espero que ele não fuja nunca, senão, é meu ‘pescocinho’ que estará na reta (sic)”, disse, em tom irônico. Além de Luis Henrique, outra criança, Laira Faccion, 8, também sobreviveu às agressões. Eles vivem com familiares e têm atendimento global em busca da recuperação das atividades físicas e psíquicas normais. Médicos, fisioterapeutas, psicólogos, pedagogos e outros profissionais fazem o acompanhamento das crianças. Os golpes de barras de ferro sofridos por eles fizeram com que perdessem massa encefálica, o que lhes rendeu seqüelas irreversíveis. Ao final do julgamento, de pé, em frente à juíza, após ouvir a pena a que foi condenado, Fabinho não demonstrou nenhuma reação. No carro da polícia, mais uma vez o silêncio e a indiferença. O advogado dele, Adilson José da Silva, disse que pedirá um novo julgamento. O CRIME Todas as vítimas eram da família de Fabinho, que namorava Edna Emília Milani, co-autora do crime, julgada em maio de 2006 e condenada a 132 anos, dez meses e oito dias de prisão. Eles foram auxiliados ainda por um menor, CRSD, o “Estrelinha”, com apenas 13 anos na época. Todos foram mortos a golpes de barra de ferro e facadas. Morreram os pais dele, Carlos Roberto Faccion, 48, e Maria Aparecida da Silva, 46, três irmãos, Lucas Donizetti Faccion, 15, Elaine Cristina Faccion, 25 - grávida de nove meses (o bebê também morreu) -, e Talia Roberta Faccion, 3. Das pessoas atacadas, sobreviveram apenas Luiz Henrique e Laira. A avó de Fabinho, Alice Baldo Faccion, 72, que não teria sido vista pelos acusados, escapou da morte sem ferimentos, mas morreu pouco tempo depois por problemas de saúde.

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