Essa reflexão tem por meta abordar algumas das conquistas do sexo feminino no decorrer da História do Ocidente. Na França, em 1789, Olympe de Gouges, lança o manifesto - Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã - na qual denuncia a Declaração de Direitos do Homem e questiona o direito de as mulheres irem ao cadafalso se não podem subir à tribuna. Opondo-se abertamente a Robespierre, é condenada como contra-revolucionária e denunciada como "mulher desnaturada`, foi guilhotinada em 1793.
Na Inglaterra, Mary Wolstonecraft, escreve, em 1792, A Vindication of the rights of women. (Em defesa dos Direitos da Mulher), na qual defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.
Em 1827, surge no Brasil a primeira legislação relativa à educação de mulheres; a lei admitia meninas apenas para as escolas elementares, não para instituições de ensino mais adiantado. Nísia Floresta (1832), nascida no Rio Grande do Norte, defendia mais educação e uma posição social mais alta para as mulheres. Lança uma tradução livre da obra pioneira da feminista inglesa Mary Wolstonecraft, e dá-lhe o título Direitos dos homens, injustiças para as mulheres.
Somente em 1848, nos Estados Unidos, ocorre o primeiro encontro sobre os direitos da mulher. Curiosamente, em 1852, é lançado no Brasil, o Jornal das Senhoras, editado por Joana Paula Manso de Noronha. Sabendo que em seus comentários não poderia falar dos "direitos das mulheres", pois se assim procedesse o jornal seria proibido nas "casas de família", ela mencionava apenas da "missão das mulheres".
No dia 8 de março de 1857, 129 mulheres foram brutalmente assassinadas numa fábrica de tecidos, na cidade de Nova York, por ocasião de uma greve pela qual reivindicavam que fossem reduzidas de 16 para 10 horas diárias de trabalho e que seus salários fossem melhor remunerados, uma vez que recebiam apenas parte do salário a que os homens tinham direito, executando o mesmo tipo de trabalho.
Em 1874, uma jovem brasileira deixa o Rio de Janeiro para estudar Medicina nos Estados Unidos. Trata-se de Maria Augusta Generosa Estrella, à qual se juntou Josefa Agueda Felisbella Mercedes de Oliveira para juntas publicarem em Nova Iorque o jornal A Mulher.
O governo brasileiro abriu as instituições de ensino superior às mulheres apenas em 1879. Mas as jovens que seguiam esse caminho sofriam preconceitos e desaprovação social. As que conseguiam se graduar encontravam sérias dificuldades para exercerem a profissão seja pelo preconceito masculino e mesmo feminino, seja pela ridicularização a que sempre estavam sujeitas.
A primeira mulher a ser admitida no Tribunal de Justiça Brasileiro para defender um cliente foi Myrthes de Campos, no ano de 1899. A mulher brasileira só conseguiu exercer seu direito de voto a partir de 1832, na gestão de Getúlio Vargas.
Resumidamente, é essa a trajetória de conquistas da mulher, nos últimos 300 anos. Há muito que precisa ser mudado tanto no “inconsciente coletivo” de ambos os sexos, como também na auto-estima feminina, no sentido de a mulher se valorizar e ocupar seu espaço. A mulher não existe para servir ao homem. Ela tem sua identidade, seu papel na sociedade. E não se trata de assumir um papel de coadjuvante, secundário, de estar ao lado do homem apenas como “ajudadora”, mas de assumir que é um ser independente, com existência própria, cuja finalidade de existir é a sua auto-realização como ser humano.
NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental).
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