Vestido com calça de brim bege, blusa branca e descalço, João Cassiano, 68, foi acordado pela reportagem ontem. Por volta das 8h20, dormia sobre o papelão debaixo da Concha Acústica. Ao responder à primeira pergunta -por que o senhor está aqui? - começou a chorar. Humilde e educado, explicou a resistência em deixar a praça.
Depois de contar sua história, foi questionado sobre a ida para o Abrigo Provisório Municipal ou alguma entidade destinada a atender idosos. “Não quero. Não gosto de depender dos outros. Gosto de viver minha vida. Ter minhas coisas.”
Após um jardineiro que cuidava das plantas no recinto e dos repórteres explicarem que era melhor ir para uma entidade, pois teria alimentação, cama para dormir mais confortável, como tomar banho e assistência médica, João disse que aceitaria, mas quando a viatura da Guarda Municipal chegou à praça para conduzi-lo até o Abrigo, o senhor já não estava no local.
Por volta das 18 horas, numa nova tentativa, João foi encontrado e levado para o Abrigo. “Ele poderá ficar aqui e, se quiser, morar em Franca, já que oferecerei um asilo para ele. Como já tem mais de 65 anos, os asilos aceitam”, disse Adair de Carvalho, diretor do Abrigo.
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