Mais de 800 mulheres da Via Campesina, braço feminino do MST (Movimento dos Sem-Terra), invadiram na manhã de ontem a usina de cana-de-açúcar Cevasa (Central Energética Vale do Sapucaí) em Patrocínio Paulista. O movimento, que agiu pela primeira vez na região, protesta contra o crescimento da cultura de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo e contra a vinda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil para conhecer detalhes sobre a produção de álcool e fechar acordos para a comercialização do produto.
A escolha da Cevasa se deu em razão de que parte do capital da empresa foi vendido para a transnacional Cargill, ligada ao agronegócio. As protestantes chegaram ao local por volta das 6 horas em 15 ônibus fretados vindos de várias partes do Estado, sendo a maioria da região de Campinas. O grupo é composto somente por mulheres com idades entre 18 e 40 anos, além de algumas crianças.
Ao chegar à usina, as mulheres dominaram os dois seguranças que se encontravam na guarita e tomaram o portão de acesso, espalhando-se por todo o gramado que fica em frente à entrada da usina. A polícia foi até o local, mas não se envolveu no caso.
As invasoras afirmam que não têm data para ir embora. "Viemos preparadas para ficar o tempo que for preciso. Trouxemos lona para montar barracas, comida e colchões. Viemos protestar e isso vamos fazer", disse uma das coordenadoras do Via Campesina, Cláudia Praxedes, 27.
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As mulheres passaram a manhã gritando palavras de ordem como: "MST, a luta é para valer" e cantando canções que falam de reforma agrária. Para se esconder do sol, as mulheres aproveitaram as sombras de árvores ou usaram guarda-chuvas. Além das tradicionais bandeiras vermelhas do MST, as mulheres carregavam placas com os dizeres: "Fora Bush: inimigo número um da humanidade". "Protestamos contra a presença do presidente americano no País que simboliza o imperalismo e um modelo de dominação", afirmou Cláudia.
A diretoria da Cevasa, em fax enviado à redação do Comércio, disse desconhecer as razões da manifestação. A empresa diz ainda que está tomando as medidas jurídicas e providências cabíveis para assegurar a desocupação da unidade. Os prejuízos na produção não foram divulgados.
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