Cinco anos depois, Faccion é julgado


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Na montagem, manchetes do Comércio e foto em que Edna Milani, comparsa de Faccion, é levada para tribunal: julgamento de acusado pode durar até três dias
Na montagem, manchetes do Comércio e foto em que Edna Milani, comparsa de Faccion, é levada para tribunal: julgamento de acusado pode durar até três dias
O julgamento do pintor Carlos Fabiano Faccion, 29, um dos acusados da autoria da chacina ocorrida em Batatais em 26 de março de 2002, começa amanhã, às 9 horas, no Fórum de Batatais, com um forte esquema de segurança. Faccion, junto com a então namorada, a dona de casa Edna Emília Milani, 25, e um adolescente, é acusado de matar cinco pessoas de sua família, uma delas grávida de nove meses, e ainda ferir gravemente outras duas. A “Chacina do Alvorada”, como ficou conhecido o crime mais bárbaro ocorrido na cidade, aconteceu na madrugada de uma terça-feira, na casa dos Faccion, que fica no número 155 da Rua Luís Tassinari, no Bairro Alvorada, quando o trio invadiu a casa e assassinou a família de Fabiano. Morreram os pais dele, Carlos Roberto Faccion, 48, e Maria Aparecida da Silva, 46, dois irmãos, Lucas Donizetti Faccion, 15, e Elaine Cristina Faccion, 25 - grávida de nove meses (o bebê também morreu) -, e uma sobrinha, Talia Roberta Faccion, 3, uma das filhas de Elaine. Das pessoas atacadas, sobreviveram apenas Luiz Henrique Faccion, na época com 7 anos, irmão de Fabiano, e Laira Fernanda Rodrigues Faccion, 3, sobrinha do assassino. A avó de Fabiano, Alice Baldo Faccion, 72, que não teria sido vista pelos acusados, escapou da morte sem ferimentos. Pesa, portanto, contra o pintor a acusação da prática de cinco homicídios qualificados, duas tentativas de homicídio qualificadas e um aborto. Todas as vítimas foram mortas a golpes de barra de ferro e facadas. Na época do crime, Fabiano, que não tinha emprego fixo, trabalhava ocasionalmente como pintor e ajudante de obras. Ele foi casado durante três anos, mas separou-se para ficar com Edna. Egressa de uma casa abrigo, a moça tem três filhos e, na época, dois deles já não viviam com ela. Hoje, as duas crianças que sobreviveram à chacina, Luiz Henrique e Laira, vivem com familiares e são acompanhados por psicólogos, fisioterapeutas, médicos, pedagogos e outros profissionais, que buscam recuperar neles as atividades físicas e psíquicas normais.Os golpes sofridos por eles fizeram com que perdessem massa encefálica, ocasionando lesões irreversíveis. PRISÃO Fabiano foi preso poucas horas depois da matança, com Edna, em uma casa na Vila Lídia, bairro próximo ao local da chacina. A polícia suspeitou das manchas de sangue nas roupas dos dois. Ele confessou ter praticado o crime com o auxílio de Edna e do menor CRSD, na época com 13 anos, que recebeu R$ 250 para participar da chacina. Depois de revelar o propósito, o planejamento e os detalhes do crime, Fabiano afirmou à polícia que não queria a interferência dos pais no relacionamento com Edna. Ele foi levado para a cadeia do Jardim Guanabara, em Franca, onde foi espancado por outros detentos. Depois, foi transferido para uma cela isolada na cadeia de Itirapuã. Atualmente está no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto. Edna, que na época foi detida na Cadeia Pública de Altinópolis, quase morreu espancada por um grupo de 80 detentas. Elas estouraram o cadeado da cela em que ela estava e a espancaram com pedaços de pau e pedras. Com fratura no crânio e cortes que lhe renderam 150 pontos na cabeça, conseguiu sobreviver. Julgada em maio de 2006, foi condenada a 132 anos, dez meses e oito dias de prisão e cumpre pena na Cadeia Feminina de São Simão. Como teve pena superior a 30 anos, ela deve ser julgada novamente no dia 10 de maio.

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