Aos 71 anos, a lavradora aposentada Darcy Maria Valadão Costa enfrenta um grave problema: há mais de um ano, está com a bexiga e o útero para fora da vagina. Sente dores no local e nas pernas. Procurou auxílio na rede pública de Saúde e, após várias idas e vindas, não teve o caso resolvido. Aguarda, há três meses, uma autorização de cirurgia eletiva para reverter o quadro.
“Além das dores, o mau cheiro é muito forte. Ela toma vários banhos ao dia e não adianta nada”, disse a dona de casa Sylvia Helena Costa, 39, filha de Darcy. “Já a levamos na UBS (Unidade Básica de Saúde), no NGA e na Santa Casa. Agora, os papéis estão parados na Secretaria de Saúde”.
Enquanto a população sofre, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, e a Santa Casa digladiam-se para provar quem é o culpado. Segundo a Prefeitura, o dinheiro para eliminar boa parte da fila das eletivas (cirurgias não urgentes), em torno de R$ 1 milhão, está disponível e a Santa Casa é quem estaria emperrando os procedimentos. O hospital, por sua vez, alega que fará as eletivas, mas no ritmo que bem entender. Enquanto isso, 5 mil pessoas da região (3,5 mil delas em Franca) sofrem à espera de atendimento.
A própria Sylvia sente na pele a ineficiência no atendimento a usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Há 11 anos, ela fez uma cirurgia para recolocação da bexiga no lugar. A intervenção não deu certo, o problema voltou e, em 2000, foi constatado que será necessária a realização de outro procedimento. “São sete anos de espera, mas nunca há resposta. Tenho incontinência urinária e sou obrigada a carregar roupas e absorventes”, disse.
Até adolescentes sofrem com a fila. A estudante Jéssica Márcia Santos Silva, 15, tem um pequeno tumor em um dos pés, chamado popularmente de “lobinho”. Por conta disso, mal tem conseguido caminhar. “Há três anos estamos lutando para que ela seja operada. Já passou por UBS, NGA, Janjão e não vira nada”, disse Rosana Lúcia dos Santos Silva, mãe da adolescente.
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