Prefeitura e Santa Casa disputam um jogo de empurra


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As cirurgias eletivas são aquelas em que o paciente a ser operado não corre o risco imediato de morte. Assim, há um relaxamento em relação a elas. Tanto que, hoje, a fila de espera, que em alguns casos dura anos, conta com 5 mil nomes na região. Somente em Franca, são 3,5 mil. Esquece-se apenas que, apesar de não matar, a falta de uma cirurgia eletiva causa incômodo, dor e muito sofrimento para usuários do SUS. Para a Prefeitura de Franca, a culpa é da Santa Casa. “O dinheiro está no caixa. É só fazer as cirurgias que pagamos”, disse o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), referindo-se a mais de R$ 1 milhão voltado à realização de eletivas, vindo da sobra de recursos da Câmara no ano passado e recursos estaduais. Segundo o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, o combinado com o hospital foi a realização de 1,8 mil operações até abril e que pouco mais de 490 foram feitas até o fim de janeiro. “Pela primeira vez temos dinheiro para diminuir a fila em até 70%”, disse Ferreira, que ameaçou procurar outros hospitais para assumir as eletivas. “Os hospitais particulares da cidade já demonstraram interesse”. Pelo lado da Santa Casa, a argumentação é a de que ocorreram problemas que atrapalharam o cumprimento da meta. Segundo o diretor-clínico, Marcelo de Paula Lima, em dezembro, muitos médicos entraram de férias e nos dois primeiros meses do ano a falta de água atrapalhou o cronograma. “Estamos lidando com pessoas e não com sapatos, que você aumenta a produção de 300 para 800 pares de um dia para o outro. Antes de números, temos de oferecer qualidade”, disse. Em meio ao fogo cruzado estão pessoas como Darcy, Sylvia e Jéssica, que sofrem à espera de cirurgia. “Se tivesse condição, pagava. Como não tenho, estou sujeita à vontade dos outros”, disse Sylvia.

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