Acompanhamento longe dos fatos. Assim o presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), espera que a imprensa passe a cobrir as sessões do Legislativo. Ele solicitou, ontem, em entrevista coletiva, que os jornalistas fiquem de fora do plenário onde sentam-se os vereadores e façam seu trabalho da platéia. A ação deve comprometer o trabalho dos jornalistas, já que o plenário, centro da ação política, é onde os principais acordos entre vereadores são discutidos.
Afetado diretamente pela medida, o repórter Wildnei Teodoro, do Comércio, acredita que a decisão será prejudicial. “Nenhum fato relevante da Câmara pode ser percebido longe do plenário. É onde tudo acontece. Sem a presença, as matérias terão menos qualidade e a imprensa deixará de cumprir seu papel”, diz.
Joaquim, por sua vez, diz que quer disciplinar o Legislativo. “Precisamos dinamizar as sessões, por isso recomendo que a imprensa não fique mais dentro do plenário. Também vou convidar os assessores para que não entrem e pedir que os vereadores se dediquem mais”, disse.
REPERCUSSÃO
Joaquim afirma ter consultado e recebido o aval de todos os vereadores para propor a ação, mas a informação foi negada pelos quatro nomes consultados pelo Comércio, que se colocaram contra a medida. “Se não fosse a imprensa o que seria da Câmara? O papel dos jornalistas é imprescindível para divulgar o nosso trabalho. Os vereadores é que deviam valorizar o plenário”, disse Gilson Pelizaro (PT).
Já o governista Jepy Pereira (PSDB) preferiu a discrição para criticar. “Neste prédio, este tipo de coisa é impossível. Ele podia ter evitado essa medida”, diz.
Até na Mesa Diretora Ribeiro foi criticado. Marcelo Valim (PSDB), vice-presidente da Câmara, ficou contra seu colega. “Eu acho que a imprensa tem que ter liberdade. Tem coisa mais importante para fazer do que isso”.
PRETEXTO
A coletiva foi convocada sob o pretexto de anunciar a atual situação do novo prédio do Legislativo. Segundo Ribeiro, a licitação deve sair até junho e as obras começam em agosto.
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