Esta divergência não é novidade, e foi ela o pivô da intervenção sofrida no passado. A prefeitura alega ter encaminhado à instituição 1302 pacientes a serem operados, o que muito me espanta, pois se isto fosse verdade (e não tem como ser) não haveria problema algum, pois a Santa Casa vive disto. Se mandam e pagam, que mal tem? Saio em defesa de Fernando Bueno (superintendente da Santa Casa) quando afirma ‘o que a Prefeitura envia nós fazemos’. Deveria ser assim: a Prefeitura manda o paciente à Santa Casa, que faz os procedimentos, dá alta ao paciente e manda a conta à Prefeitura, mas não é. O que acontece, de verdade, é isso: a Prefeitura manda um pacote de cirurgias para ser feito, manda junto uma quantia em dinheiro e a Fundação Civil Casa de Misericórdia faz o que der. Por desconhecimento, se cobra a Santa Casa porque o número de atendimentos é baixo. À Prefeitura, não se cobra. De outro lado, é preciso perguntar como a Santa Casa tem gasto o dinheiro que recebe, pois não é pouco, com origem no Ministério da Saúde, da própria Prefeitura e, agora, da Câmara Municipal, que mandou R$ 1 milhão para eletivas, lá (atitude louvável transferir este dinheiro para ajudar a desafogar a fila de eletivas que tem 5 mil pacientes na espera). É preciso cobrar prestação de contas do hospital, sobre o uso dado a estes recursos; é preciso cobrar como anda a fila de espera, se quem está na fila obedece a um critério qualquer, se a lista tem sido atualizada, se casos de urgência têm preferência, e por aí. O caso da saúde em Franca não é problema que se resolve com dinheiro, mas sim com vergonha.
Ademir da Rosa
é leitor do Comércio da Franca
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