‘Meu sonho é ser veterinário’, diz garoto


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CPS, 14, arruma sua caixa após atender um cliente. Seu sonho é fazer um curso profissionalizante e se tornar mecânico de automóveis
CPS, 14, arruma sua caixa após atender um cliente. Seu sonho é fazer um curso profissionalizante e se tornar mecânico de automóveis
Os sonhos dos engraxates francanos são muitos; as ambições, também. As idades vão de 12 a 28 anos. Os rendimentos são pequenos. A realidade é sempre a mesma: dão duro o dia todo, limpando e dando brilho em calçados alheios, para ganhar somente R$ 1 pelo serviço, que dura entre 10 e 15 minutos. A maioria deles cruza a cidade, a pé ou de bicicleta, e ganha o almoço de comerciantes. Outro ponto comum é que eles não reclamam e afirmam: “apesar das dificuldades, somos felizes”. O garoto RAM tem somente 12 anos. Atua há aproximadamente um ano como engraxate. Estuda à tarde, na 5ª série, em uma escola estadual, e tem um objetivo traçado: quer juntar dinheiro para poder cursar uma faculdade. “Não tenho intenção de engraxar o resto da vida. Tenho o sonho, a ambição, de me tornar veterinário”. Enquanto isso não acontece, trabalha nas manhãs de terças, quintas e sextas nas Praças Barão e Nossa Senhora da Conceição e divide os R$ 40 que ganha por semana com a mãe, dona de casa, e o pai, um pedreiro. A família mora no Jardim Cambuí, a 6,5 quilômetros do Centro, e faz o percurso a pé. “Estou tranqüilo. Ganho meu dinheirinho, reservo um pouco para mim, para comprar bolachas, e o resto dou em casa para ajudar nas despesas”, disse o adolescente. O preço de cada engraxada é único no Centro de Franca: R$ 1. Para faturar entre R$ 200 e R$ 300 mensais, CPS, 14, tem de trabalhar bastante. “A engraxada é barata, sim, mas se cobrar mais, fico sem freguesia. Todo mundo cobra igual”, disse o garoto, que tem planos de se tornar mecânico de veículos. “Claro que arrumar carros rende um salário melhor do que como engraxate. Mas, por enquanto, estou feliz”. Regis Ferreira Silva, 16, afirmou que sabe o que faz com seu dinheiro. Trabalha de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, e ganha entre R$ 450 e R$ 500 por mês. O adolescente, que ajuda os pais com parte do que arrecada, está no 2º ano do ensino médio e cursa informática. “Pago a computação do meu bolso”, disse, orgulhoso. “Mais adiante, quero ter uma boa formação, mas hoje está bom engraxando. É honesto e dá uma graninha”. Mas não são só garotos que trabalham como engraxate em Franca. Aos 28 anos, Luiz Carlos dos Santos disse que pretende se aposentar na área. “Sou engraxate desde moleque e vivo com o que ganho há muitos anos. Não tenho motivos para parar ou buscar outra coisa. Está bom assim”.

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