Quem nunca foi abordado por algum jovem, com caixinha de madeira em mãos, dizendo a seguinte frase: “Vai graxa aí, moço?”. Apesar de em número reduzido, cerca de 30, os engraxates continuam presentes em Franca, principalmente nas ruas centrais da cidade.
O preço é único, R$ 1 por engraxada, e o movimento é bom, com cada profissional atendendo entre 15 e 20 pessoas por dia e faturando salários mensais que variam entre R$ 400 e R$ 800.
Ninguém sabe, ao certo, quando nasceu a profissão de engraxate. A hipótese mais provável é que foi criada após o decreto da Lei Áurea, em 1º de maio de 1888, quando os escravos, recém- libertos e sem opção de trabalho, passaram a montar suas caixas e atuar nas áreas movimentadas das grandes cidades.
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Em Franca não foi diferente. Nas décadas de 30 e 40, havia dezenas de engraxates espalhados pelas regiões mais importantes, como Estação e Praças Barão e Nossa Senhora da Conceição. “Tinha engraxate para todo lado, porque naquele tempo todo mundo andava bem trajado, com roupas e sapatos sociais. Não faltava serviço para eles”, disse o agricultor Lázaro Alves Ferreira, 78. “Era elegante a gente sentar em um banquinho para engraxar os sapatos”.
Com o fortalecimento da indústria calçadista, principalmente a partir dos anos 60, grande parte dos engraxates francanos foi absorvida pelas fábricas. Com isso, o número de profissionais diminuiu consideravelmente, é verdade, mas eles nunca deixaram de ser vistos.
Nilo Sérgio Santos, 20, trabalha como engraxate há nove anos. Sai de bicicleta do bairro Miramontes, a seis quilômetros do calçadão da Praça Barão, onde fica seu “ponto”. Começou como a maioria deles, para ganhar uns trocados e complementar o orçamento doméstico. Aos poucos, foi ganhando uma freguesia fiel e fez de sua caixa o seu sustento definitivo. “Não tenho do que reclamar. Atendo pelo menos 20, 25 clientes por dia e faço meu salário honestamente. Não me falta nada. Nunca trocaria minha caixa por um emprego em fábrica”, disse.
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