O cultivo comercial de café pode desaparecer do Estado de São Paulo dentro de 40 anos em razão do aquecimento global. Esse é o diagnóstico de um estudo realizado nos últimos seis anos pelo Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), órgão vinculado à Unicamp.
Segundo a pesquisa, a região teria em média, em 2047, três graus Celsius a mais que hoje - passaria dos 25 para os 28 graus, o que prejudica a florada do café, que acontece entre agosto e outubro e é prejudicada por temperaturas superiores a 28 graus. Dependendo do calor e da falta de chuva, a flor pode abortar ou nem chegar a nascer. Sem flor não há grãos e, conseqüentemente, não há café.
A possibilidade preocupa o diretor da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada) de Franca, Paulo de Tarso. Ele participou de um simpósio em Campinas onde o tema foi amplamente abordado. “Fiquei muito apreensivo com o que poderá acontecer.
Estou estudando a possibilidade de trazer um especialista em climatologia para ministrar uma palestra”, afirmou Paulo.
Para a Secretaria da Agricultura, porém, o aumento de três graus não comprometeria tanto a produção, ponto de vista compartilhado por alguns produtores da região. “O importante é como estará a temperatura na época da florada. Se estiver muito quente pode até reduzir a produção, mas não acabar com o café”, disse o cafeicultor Dirnei de Barros, de Pedregulho, que preferiu não dar muito crédito às previsões. “Acho que tenho problemas mais urgentes para resolver”.
O presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Eli Brantini, tem posição semelhante. “Acho que é muito cedo para falar disso. É uma previsão que precisa ser melhor avaliada”, disse. O município é o maior produtor da região, sendo que a safra deste ano rendeu cerca de 300 mil sacas.
ALTERNATIVA
Uma provável solução para o problema seria produzir café sombreado, ou seja, as plantações ficariam protegidas por árvores, como uma espécie de estufa natural. “Já deveríamos estar nos preparando, fazendo pesquisas e testes de plantio”, alertou Tarso. Países como Colômbia e Costa Rica já utilizam a técnica.
No Brasil, cafeicultores do Ceará plantam o café sombreado. Na região, seria novidade.
Outra opção é a modificação genética do café, que ficaria a cargo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para que a florada aconteça a maiores temperaturas.
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