Big brother maníacos


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Que tal dar aquela espiadinha? Essa é a frase que os fanáticos por Big Brother Brasil mais gostam de ouvir do apresentador Pedro Bial, da Rede Globo. Com histórias reais, que mostram o convívio de um grupo de pessoas, o reality-show tem audiência garantida de grande parte do público jovem. Chegando à fase final, a sétima edição do programa tem segurado os francanos em casa, principalmente em noites de paredão. Na cidade, há até festas em repúblicas de estudantes às terças-feiras, com direito a telão, bebidas e comidas. Fãs de carteirinha do programa, as amigas Melissa Alves Ferreira, 29, e Thaís Batarra, 18, não perderam nenhum episódio dos seis últimos BBBs transmitidos nos anos anteriores e não seria diferente com o atual. Segundo as amigas, o que mais as atrai em reality-shows é a oportunidade de observar o dia-a-dia das pessoas, seus relacionamentos amorosos e intrigas. Agora, na disputa pelo prêmio de R$ 1 milhão, elas já apontam seu favorito. “Depois da injusta eliminação da Íris (Siri) e da possível saída de Flávia hoje no paredão, queremos que o Alemão (Diego) seja o vencedor do BBB 7”, diz a gerente Melissa, que todos os dias comenta com as colegas o que aconteceu na casa. “Nós não vemos a hora de por um fim na turminha do Caubói (Alberto). Vai sair um por um”, acrescenta Thaís. E não é somente as amigas que apreciam o programa. Na Unifran (Universidade de Franca), uma turma de estudantes sai das aulas mais cedo todas as terças-feiras, dia de eliminação, direto para uma república para assistirem ao Big Brother. “Além da torcida pelo programa, estendemos o agito até a madrugada, com muita bebida e comida”, disse o estudante de Enfermagem Thales Monteiro. Apesar de diário, muitos fãs ficam ligados no programa 24 horas por dia. Pelo sistema pay per view da TV a cabo, ao custo médio de R$ 60, é possível acompanhar todos os lances da casa mais vigiada do País. “Adoro passar as madrugadas assistindo ao BBB. Se tornou um vício para mim”, relata a estudante de Farmácia Mônica Ribeiro. Para demonstrarem a sua admiração pelo programa ou por determinado integrante, alguns usam também a internet. No Orkut, maior site de relacionamento do País, foram criadas diversas comunidades em favor do reality-show. Só a comunidade “Big Brother Brasil” possui 247319 membros. Algumas também manifestam apoio a determinados participantes, como “Adorava o triângulo do BBB 7”, “Siri e Alemão”, “Diego Alemão” e “Eu adoro a Flávia do BBB 7”. Já outras comunidades demonstram a insatisfação com alguns integrantes na casa. “Odeio o Alberto” tem 31877 membros, “Fora Alberto 99%” tem 12878 membros; há ainda a “Eu odeio a Analy”, “Eu odeio o Airton” e por aí vai. EXCESSO NA ESPIADINHA Para a psicóloga Cléria Bittar Bueno, um dos motivos para os reality shows serem tão apreciados pelo público jovem é a identificação que eles têm com os personagens desses programas. “Sejam fanáticos ou não, o ser humano é curioso quando se da vida alheia. É próprio da natureza o grande interesse pelo estilo de vida das pessoas, principalmente se elas estiverem sendo expostas 24 horas por dia” diz. Muitos telespectadores vibram, torcem e até mesmo choram com as cenas de decisões do programa. “É como se eles nos representassem na TV, assim o público toma as dores dos participantes e se sentem íntimos deles. Ainda mais os jovens que estão formando suas opiniões e personalidades”, disse a psicóloga, que também alerta para o perigo dos excessos. “Cada pessoa simpatiza com um participante e escolhe o seu favorito. Mas isso não pode atrapalhar a vida real. Muitos vivem em função dos programas de TV, fazem daquilo uma alienação. Mudam sua identidade para copiar o que a televisão impõe. Pode se identificar, torcer, mas tem que ver que é apenas um jogo, a vida continua, um participante ganhará R$ 1 milhão e nós continuaremos aqui com a nossa vida”, conclui.

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