Isaías da Silva Ramos, 22, mora numa casa simples de três cômodos no Jardim Aeroporto II. O rapaz nasceu com deficiência mental e não anda, não fala, toma anticonvulsivos, usa fraldas e depende de ajuda para tomar banho e se alimentar. Seus dias são preenchidos com filmes e desenhos na televisão e engatinhadas pela sala e corredor de entrada da casa. Abandonado pela mãe há anos, está sob os cuidados do pai, Brivaldo Ramos, 50, e a madrasta Maria de Fátima Fernandes, 42. O casal, que mora junto há seis meses, enfrenta dificuldades para manter a casa.
Brivaldo é pedreiro, mas está desempregado há 15 dias e não consegue serviço. Fátima não pode trabalhar, pois tem de cuidar do enteado com banho, troca de fraldas, dar medicamentos e alimentá-lo. “Ele não pode ficar sozinho”, disse ela, que o considera como filho. “Vem com a mamãe. Engatinha do jeito que a mamãe ensinou”, dizia ontem, enquanto a reportagem a entrevistava.
A única renda da família são os R$ 350 de auxílio doença recebidos por Isaías. O benefício é usado para pagar as contas de energia (R$ 90), água (R$ 90) e aluguel do imóvel (R$ 150). “Não posso deixar a luz ser cortada, muito menos a água. O problema é que gastamos demais, porque tenho de lavar as roupas e cobertores dele para não cheirarem urina”, disse Fátima.
Sem a renda de Brivaldo, os problemas da falta de dinheiro já são sentidos pelos moradores. O gás acabou há duas semanas. Sem dinheiro para comprar, a dona de casa montou um fogão à lenha no quintal para cozinhar arroz, feijão e café. Eles não comem carne há duas semanas. Durante dias, os três moradores se alimentaram apenas com líquido: água com açúcar e suco com a couve que plantaram no quintal. “Passamos fome. Isso é triste. Mas não posso perder a fé em Deus. Ele vai nos ajudar a, pelo menos, ter o que comer”, disse ela.
Rosineide Santos, vizinha da família, esteve na residência de Fátima e disse que se desesperou ao ver que estavam sem ter com o que se alimentar. Sem condições de ajudar sempre, encaminhou e-mail para o jornal em busca de apoio. “Procuro dar comida, mas sozinha não tenho como doar tudo que precisam. É muita coisa.
Acho que ninguém deve passar fome. Isso é muito triste”, disse Rosineide Santos, dona de casa que mora na casa da frente.
O casal e o filho precisam de tudo: lençóis, colchão, roupas, fogão (só uma boca funciona) e panelas. Ontem a água com café estava sendo fervida em uma panela de pressão velha. “O Isaías tem só umas duas trocas de roupa. Não tem nadinha.”
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