Horas de espera para garantir uma vaga


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ALEGRIA - Elizete Silva conseguiu inscrever sua filha Carla Sabrina
ALEGRIA - Elizete Silva conseguiu inscrever sua filha Carla Sabrina
Muitos deixaram compromissos ou faltaram da escola para tentar concorrer a uma das 600 vagas oferecidas pela Esac (Escola de Aprendizagem e Cidadania). Para enfrentar o sol forte, levaram sombrinhas, se protegiam com envelopes e pasta com documentos, estavam com garrafinhas de água ou tomavam picolé. A doméstica Elizete Abadia Silva, 31, foi uma das que começaram o dia cedo para inscrever a filha Carla Sabrina, 14, estudante da 8ª série da Escola Estadual “Maria Pia”. Elizete saiu de casa para tomar o ônibus às 5h45 e só chegou à Avenida Champagnat uma hora depois, por volta das 6h40. Mesmo cedo, encontrou mais de cem pessoas na sua frente. A doméstica, que mora no Jardim Vera Cruz, retirou o número 174. Depois de quase quatro horas de espera, fez a inscrição. Ela deixou a Esac às 10h30 e seguiria para o trabalho. “Tinha de ter entrado às 8 horas, mas já avisei meu patrão que atrasaria um pouco. Precisava tentar uma vaga para minha filha. Não posso pagar um curso para ela, mas se fizer vai ser bom para conseguir serviço e me ajudar em casa.” [FOTO2] Apesar da alta procura, Elizete está confiante. “A Carla Sabrina está inscrita e tem chances de fazer o cursinho. Agora é torcer. Vou rezar para ela passar nas provas e conseguir uma das vagas.” Ana Rosa Silva, 49, foi outra mãe que enfrentou sol forte e horas de espera para tentar uma vaga para a filha Sabrina Silva, 14, aluna da 8ª série. A dona de casa, moradora do Jardim Panorama, tomou o ônibus às 6h15 e chegou à sede da Esac às 7 horas. “A fila já estava na esquina. Tinha muita gente”, disse por volta das 10 horas, enquanto se protegia do sol escaldante com uma sombrinha. “Às vezes, a gente tem de fazer sacrifícios mesmo. Se ela conseguir o curso, vai ser muito bom. Minha filha quer muito fazer computação. Deus vai ajudar ela a ser escolhida”, disse Ana Rosa. Maria de Lourdes Aleluia, 43, sapateira, também saiu de casa cedo, mas não teve a mesma sorte que Elizete e Ana Rosa. Maria levou duas horas para se deslocar do Jardim Luiza II até o Centro. “Saí de casa às 7 horas da manhã e estou aqui desde as 9 horas mais ou menos”, disse. Ela faria inscrição para a filha Karen Sabrina, 13, que está na 8ª série, mas não conseguiu senha. “Não teve jeito. Fazer o quê né?”

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