Um usuário de drogas disposto a abandonar o vício, mas sem ter um local para ser internado. Um deficiente físico sentindo dores há um mês é consultado várias vezes no pronto-socorro, mas não tem solução para seu problema. Uma criança, alérgica a vacinas convencionais, fica exposta a doenças como meningite, coqueluche, difteria e tétano pela falta de vacinas especiais.
Em comum, as três pessoas têm o fato de morarem em Franca e terem recebido ajuda voluntária para amenizar seus problemas. Para todos, o ato de solidariedade aconteceu pela ineficiência do poder.
Diogo (nome fictício), 23, está desde terça-feira em uma casa de recuperação. Viciado em crack, chegou debilitado ao lugar e apresentava sinais de depressão, mas já deu mostras de melhora. Participou de atividades físicas, alimentou-se bem e dormiu tranqüilamente todas as noites. Acredita que conseguirá deixar os entorpecentes. “Encontrei as pessoas certas e o local ideal. Precisava desse apoio para deixar o vício”, disse o rapaz, que é casado e tem uma filha de três anos.
A chácara onde Diogo está é administrada pela igreja Assembléia de Deus e mantida por doações. Antes de chegar ao local, o rapaz procurou, sem sucesso, ajuda de instituições públicas. “Não tinha para onde recorrer. Sem a ajuda da rádio e da igreja, nem sei o que seria de mim”, disse.
Paulo Ricardo de Souza, 20, também passa por dias melhores. Desde quarta-feira, não sente as dores na virilha e coxa esquerda que o fizeram procurar - sem sucesso - o Pronto-Socorro “Dr. Janjão” por nove vezes em apenas um mês.
Acabou atendido pela Prontomed, uma empresa particular cujos proprietários se sensibilizaram com sua história. “Pedimos muitas vezes para interná-lo lá no Janjão, mas nunca nos ouviram. Seu sofrimento poderia ter acabado antes”, disse Luzinete Lima Souza, mãe do rapaz.
O terceiro caso foi chocante: o bebê Pedro Henrique Benedetti, de quatro meses, quase morreu ao sofrer uma reação alérgica depois de tomar uma vacina. Apesar do caso ter ocorrido dentro da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião, passaram-se 90 dias sem que a vacina especial (acelular) para crianças alérgicas chegasse.
Não fosse um empresário francano, por intermédio do radialista Marcelo Valim, pagar a dose, aplicada na quarta-feira, a criança estaria, ainda, exposta a graves doenças. “O povo precisa de mais carinho, atenção. Fui mais de 20 vezes à Secretaria de Saúde, UBS, NGA e ninguém me ajudou”, disse o pai do bebê.
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